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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

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CONHEÇA AS QUATRO UTILIDADES QUE ESTÃO ESCONDIDAS EM SEU CELULAR.

Será útil manter essas informações com você.
Existem algumas coisas que podem ser feitas em caso de emergência.
Seu celular é uma ferramenta que pode salvar sua vida.
Veja o que ele pode fazer por você:
 
Emergência I
O número universal de emergência para celular é 112
 
Se você estiver fora da área de cobertura de sua operadora e tiver alguma emergência, disque 112 e o celular irá procurar conexão com qualquer operadora possível para enviar o número de emergência para você, e o mais interessante é que o número 112 pode ser digitado mesmo se o teclado estiver travado. Experimente!
Essa eu testei e funcionou. ;) 

 
Emergência II
Você já trancou seu carro com a chave dentro?
Seu carro abre com controle remoto? Bom motivo para ter um celular.
 
Se você trancar seu carro com a chave dentro e a chave reserva estiver em sua casa, ligue pelo seu celular, para o celular de alguém que esteja lá. Segure seu celular cerca de 30cm próximo à porta do seu carro e peça que a pessoa acione o controle da chave reserva, segurando o controle perto do celular dela. Isso irá destrancar seu carro, evitando de alguém ter que ir até onde você esteja, ou tendo que chamar socorro. Distância não é impedimento. Você pode estar a milhares de quilômetros de casa, e ainda assim terá seu carro destrancado.
Bom isso já não sei se funciona, pois não tenho carro RS.
E a mamilis não quis deixar eu testar com o carro dela :(
Se alguem testar e funcionar me avisa PS.
 
Emergência III  *3370#
Vamos imaginar que a bateria do seu celular esteja fraca. Para ativar, pressione as teclas: *3370#
Seu celular irá acionar a reserva e você terá de volta 50% de sua bateria. Essa reserva será recarregada na próxima vez que você carregar a bateria.
Mentira pura mentiraaaaaaaaa.
 
Emergência IV *#06#
Para conhecer o número de série do seu celular, pressione os seguintes dígitos: *#06#  
Bom essa é clássica RS.
 
Um código de 15 dígitos aparecerá. Este número é único. Anote e guarde em algum lugar seguro. Se seu celular for roubado, ligue para sua operadora e dê esse código. Assim eles conseguirão bloquear seu celular e o ladrão não conseguirá usá-lo de forma alguma. Talvez você fique sem o seu celular, mas pelo menos saberá que ninguém mais poderá usá-lo. Se todos fizerem isso, não haverá mais roubos de celular.
O número de série realmente aparece, mas não sei dizer se a operadora realmente faz isso rs. 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

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Clooney volta aos cinemas em 'Um Homem Misterioso'

Cena de "Um Homem Misterioso"DivulgaçãoCena de "Um Homem Misterioso"
O ator George Clooney já viveu um pacificador, ao lado de Nicole Kidman, em 1997. Treze anos depois, em seu novo filme, "Um Homem Misterioso", que estreia nesta sexta, ele está sozinho e do outro lado das armas. Na pele de Jack, Clooney não vive propriamente um matador - apesar de saber manejar bem armas e de fornecer ferramenta para assassinos. O ator, famoso pelos papéis de galã, dá a justa medida de silêncio e angústia que o personagem exige.
Jack mata para não morrer. Tem as mãos de artesão, não de artista, como define um padre amigo. É que ele se faz passar por um fotógrafo que viaja pelo mundo, para encobrir sua verdadeira identidade: a de inventor de armas. E as constrói com suas próprias - e habilidosas - mãos, customizadas de acordo com as necessidades do cliente. Em certos momentos, ele faz lembrar um famoso personagem da TV dos anos 1980, MacGyver, que a partir de materiais simples, encontrados aleatoriamente, conseguia criar verdadeiros arsenais. Preste atenção na cena em que Jack entra numa oficina mecânica e começa a garimpar peças de metais que lhe serão úteis numa nova encomenda.

Por causa de suas habilidades - e por abastecer gente inescrupulosa - é que vira alvo de revanchistas. O que o torna um homem solitário, sem endereço fixo, que tem de sair pelo mundo se escondendo pelos cantos, nas sombras. Não criar vínculos também faz parte da missão, como Pavel (Johan Leysen), para quem ele trabalha, lhe lembra sempre. Os motivos são conhecidos: ou a pessoa com quem se envolve é traidora ou acaba morta por estar ao seu lado.

Mas Jack está cansado dessa vida. E de não criar vínculos. Deixa três corpos mortos para trás - de dois assassinados e de um companheira - e parte para Roma. Lá, recebe ordens para se refugiar numa cidadezinha italiana, enquanto aguarda uma nova encomenda. Para ele, será a última. A região de Abruzzo, onde se instala, se mostra perfeita: é repleta de penumbras e ruas labirínticas por onde pode se esgueirar.

Num quarto alugado, começa a se dedicar ao novo trabalho. Mas, infringindo todas as recomendações, o homem solitário, misterioso e de poucas palavras continua a desejar o convívio. E meio sem querer, o forasteiro americano se aproxima do padre local, o simpático Benedetto (Paolo Bonacelli). Inicia um romance com a prostituta Clara (a bela Violante Placido). Mas ao mesmo tempo que Jack quer a redenção e uma vida normal, matadores no seu encalço o fazem recordar de seu passado - e de seu verdadeiro presente. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

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Mude a posição do retrovisor

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

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Qual seu nome?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

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A primeira vez! - No Brasil

Em 1991, os Simpsons chegavam ao Brasil, pela Rede Globo. Primeiramente vendidos como produto infantil, se tornaram mania em pouco tempo, gerando um dos maiores sucessos em termos de licenciamento, com centenas de produtos com a marca também no Brasil.

O horário original era aos sábados, as 17 horas, substituindo o Cassino do Chacrinha, extinto após a morte do apresentador. Depois, houveram várias mudanças, de dia, horário e etc. A série foi para o SBT depois também, e voltou para a Globo recentemente. O 1º episódio exibido no Brasil foi curiosamente o 13º e último da 1ª temporada, "Numa Noite Encantada", aquele em que Homer e Marge contratam uma babá para cuidar dos filhos, sem saber que ela é uma foragida da polícia.

Pensando nisso, fui procurar algum conteúdo sobre a chegada da série ao nosso país, e achei um vídeo muito interessante. Na primeira chamada do desenho no Brasil, a emissora encomendou uma dublagem especial, onde Bart convidava os telespectadores a assistirem suas aventuras, comparando sua família às brasileiras!

Vejam abaixo tal raridade

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

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Ke$ha divulga mais um single de seu novo CD

A cantora Ke$ha
A cantora Ke$ha
Já está disponível na internet mais uma faixa do novo álbum da cantora Ke$ha.  A música, que se chama Blow, é a quarta divulgada das oito inéditas presentes no próximo EP.
A letra da canção, desta vez, fala sobre balada e curtição, diferente do canibalismo presente em Cannibal. O disco chega às lojas no dia 22 de novembro.
Ouça abaixo a nova faixa:
Ke$ha - Blow by bcarstensen

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piadinha para acalmar a segunda feira...

Um dia minha mãe saiu e deixou meu pai tomando conta de mim.

Eu tinha uns dois anos e meio. Alguém tinha me dado um “jogo de chá” de presente e era um dos meus brinquedos favoritos.


Papai estava na sala vendo o Jornal Nacional, quando eu trouxe para ele uma “xícara de chá”, que na realidade era apenas água. 



Após várias xícaras de chá, onde recebia elogios entusiasmados do papai a cada xícara servida, minha mãe chegou.

Meu pai fez ela se sentar na sala, para me ver trazendo a ele uma xícara de chá, porque era “a coisa mais fofa do mundo!”. Minha mãe esperou, e então, vinha eu pelo corredor com uma xícara de chá para o papai e ela viu ele beber todo o chá.



Então ela disse :

“Passou pela sua mente que o único lugar que ela alcança água é na privada?”


Os pais não pensam igual às mães...

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Faz parte da minha vida e da história da minha Familia

1 - ORIGEM E EVOLUÇÃO DE ANGELINA

1.1 – MOTIVOS DA FUNDAÇÃO DE UMA COLONIA DE CARÁTER NACIONAL

As causas desse fato, segundo Perardt (1990, p.23) não se encontram somente na história de Santa Catarina. Devem ser buscadas também na história do Brasil, ainda como colônia de Portugal (até 1822 ).
A forma de ocupação inicial do território brasileiro está relacionada com a implantação de Capitanias Hereditárias. Através deste sistema colonial, os portugueses se interessaram somente na exploração do litoral e não do interior da colônia. A partir de 1660, por meio das entradas, do Bandeirantismo, das Atividades Missionárias e da Criação de Gado, é que ocorreu uma ocupação mais intensa do interior. Entretanto, a expansão territorial, do litoral rumo ao interior, deu-se lentamente. Além disso, somente em algumas áreas. Por exemplo, na região Sudeste e Centro-Oeste, foram exploradas algumas áreas, hoje pertencentes ao estado de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. Na região Norte, poucas áreas no vale do Amazonas. Nas regiões Nordeste, algumas áreas pertencentes aos atuais estados de Pernambuco e Maranhão. E na região Sul, também, poucas áreas fronteiriças do atual estado do Rio Grande do Sul. Portanto, os portugueses, como colonizadores do Brasil (1530-1822), assemelhavam-se aos caranguejos: de costas para o interior e de frente para o Oceano Atlântico (que levava à metrópole). Caso se movimentassem, andavam de lado, para o Norte ou para o Sul, ao longo do litoral.
Em relação à Santa Catarina, os colonizadores portugueses não fugiram a regra geral. Porém não só não ocuparam o interior como, também, não havia até 1750, fundado uma só vila ou frente colonizadora. Assim, tendo em vista a limitada ocupação do território catarinense, os portugueses decidiram trazer colonos nos arquipélagos dos Açores e de Madeira. Com efeito, entre 1747 e 1756, foram trazidos cerca de 6 mil açorianos e madeirenses. Estes colonos, que representavam o primeiro grande povoamento do território catarinense, foram fixados no litoral (como era costume), nas áreas denominadas de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), de Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco (atual São Francisco do Sul) e de Santo Antonio dos Anjos da Laguna (atual Laguna). Próximo a Desterro (Florianópolis), entre outras áreas menores, foram fixados açorianos e madeirenses também nas áreas de São Jose da Terra Firme (atual São José), de São Miguel da Terra Firme (atual Biguaçu) e de Nossa Senhora da Conceição (atual Lagoa da Conceição em Florianópolis).
No início, estes novos colonos tiveram muitas dificuldades de adaptação. Por exemplo, havia sido prometido a eles que, ao chegarem, receberiam um pedaço de terra equivalente a 1.500 braças quadradas, mas nem todos receberam. Levando em conta que cada braça girava em torno de dois metros, este pedaço de terra representava, então, um quadrado de cerca de 80 por 80 metros, o que resultava em 6.400 m², pouco mais de meio hectare. A terra que receberam não era muito apropriada ao cultivo. E os açorianos e madeirenses, quanto à economia, praticavam mais a pesca do que a agricultura. Portanto, por este e outros fatores, acabaram desenvolvendo por muito tempo apenas uma agricultura de subsistência.
Após as primeiras tentativas de ocupação e/ou povoamento do território catarinense, vai ocorrer mais uma região do planalto, onde, em 1766, de acordo com CABRAL (1987, p. 74), é fundada uma povoação denominada de Nossa Senhora dos Prazeres das Lages” (atual Lages). Por este local já passava, desde 1722, o Caminho do Sul”, que ligava o atual Rio Grande do Sul à São Paulo. Este caminho era percorrido pelos tropeiros que, usando de mulas, transportavam mercadorias manufaturadas e produtos agropecuários. Atravessava o território catarinense, passando pelos atuais municípios de Lages, Curitibanos e São Bento do Sul. Por esta época, representava à divisa da Capitania de Santa Catarina, pois a Capitania de São Paulo, se estendia até a de São Pedro do Rio Grande (Rio Grande do Sul). Portanto, Santa Catarina era uma faixa de terra que ai do litoral até este “Caminho do Sul”. Em função do “grande movimento” dos tropeiros, e do “isolamento” do litoral com o planalto, os administradores da Capitania Catarinense, fixados em Desterro, por volta de 1875, começaram a planejar a abertura de um caminho que ligasse esses dois pontos. Isso foi concretizado em 1790, cujo trajeto ia da ilha de Santa Catarina (Desterro), passava pelos atuais municípios de São Pedro de Alcântara, Angelina, Rancho Queimado (Taquaras), Alfredo Wagner, Bom Retiro e chagava até Lages. Desta forma, o atual território de Angelina já era conhecido pelos tropeiros que por aqui faziam o trajeto Desterro-Lages. Porém, nenhum habitante havia ainda se fixado neste local
Depois que o Brasil se tornou independente (1822), José Bonifácio de Andrade e Silva e a princesa Dna. Leopoldina, prosseguiram com a política imigratória iniciada por D. João VI, que esteve no Brasil entre 1808 e 1821. Por esta época, os administradores políticos “achavam” que o Brasil, por vários fatores deveria ser povoado com maior intensidade. Como não havia possibilidades de trazer imigrantes portugueses, então o povoamento deveria ser concretizado com imigrantes trazidos de outros países europeus (era importante que os imigrantes fossem de etnia branca e católicos).
Desta forma, para a então Província de Santa Catarina, eram trazidos, inicialmente, imigrantes alemães, os quais foram fixados em 1829 na colônia de São Pedro de Alcântara. Entretanto, de 1830 a 1850, a imigração européia teve uma certa retração. Porém, em Santa Catarina, foram realizadas várias tentativas de colonização. Por exemplo, destacam-se, entre outras, a colônia Nova Itália (no Vale do Rio Tijucas), a Colônia Itajaí, a Colônia Industrial do Saí e a Colônia Blumenau.
Com efeito, em 1860, o Brasil continuava ainda pouco povoado.Além disso, era muito grande a necessidade de mão-de-obra em varias partes, principalmente nas lavouras de café, aumentada ainda mais com o término do tráfico negreiro em 1850. Tendo em vista que D. Pedro II tinha preferência por imigrantes alemães (elementos germânicos), e, como esta imigração, no momento, era impedida de vir para o Brasil, pensou-se, então, em usar a população nacional, composta, basicamente, de lusos-brasileiros, para resolver ao menos, o sério problema de povoamento. A razão do controle rígido da imigração alemã para o Brasil em 1857 a 1869, deve-se ao fato de que os governos de estados alemães vieram a saber que os imigrantes eram muito explorados nas lavouras de café em São Paulo. Este controle rigoroso fez com que diminuísse muito a vinda de imigrantes alemães para Santa Catarina (PIAZZA, 1973, p.20).
Então, de um lado, a partir de 1857, existiam grandes dificuldades ou até impossibilidade de trazer imigrantes europeus (sejam alemães ou outros) para colonizar o interior da Província de Santa Catarina. De outro lado, no litoral catarinense, principalmente próximo à capital (Desterro), por varias razões, estava “sobrando” luso-brasileiros (lusitanos), os quais chegavam até a “perambular” pelas vilas ou cidades da época. Em função disto houve, por vários anos, um grande debate entre lideres políticos, comerciantes e a imprensa escrita.
Em Santa Catarina, em termos de povoamento, quase tudo ainda tinha que ser feito. Existiam, portanto, muitos locais importantes a serem ocupados com povoamento e colonização. Um dos mais urgentes, por volta de 1860, ficava no caminho entre Desterro e Lages.
Entre outras características, os lusitanos eram, por tradição, mais dados à pesca do que ao trabalho da lavoura. Apresentavam, assim, algumas dificuldades ao projeto de colonização com elementos nacionais que, na época estava em discussão.
Mesmo assim, o então presidente da província, Francisco Carlos de Araujo Brusque, resolveu encaminhar a D. Pedro II, um projeto de fundação de uma colônia, usando para tanto, os lusitanos do litoral catarinense. O projeto foi aprovado em trinta de novembro de 1859.
1.2 – COLÔNIA NACIONAL DE ANGELINA: O ATO DA FUNDAÇÃO E INSTALAÇÃO
Logo após ter recebido autorização, o Presidente da Província, Francisco Carlos de Araujo Brusque, mandou que fizessem vários levantamentos para ver onde seria instalada a colônia. A situação urgente a ser resolvida, era no caminho Desterro-Lages. Desta forma, o levantamento foi feito ao longo deste caminho. A preferência do Presidente da província era por aquelas terras situadas na direção do Rio Engano até a entrada de Lages, um pouco acima da colônia Leopoldina. Entretanto, na escolha do local havia alguns critérios: solo fértil, próximo ao mercado regular e acesso facilitado à capital (Desterro). De posse dos levantamentos feitos o Presidente da Província optou pela área entre o Ribeirão Mundéus e o Rio Garcia, nas proximidades da estrada de Lages a Desterro e acima da Colônia de São Pedro de Alcântara. Escolhido o local, o Presidente da Província solicitou recursos ao Imperador D. Pedro II, para fazer medição e demarcação dos lotes.
Estes deveriam ser de 62.500 braças quadradas e serem vendidos a meio real a braça (moeda portuguesa usada no Brasil na época), em prestações, sendo a primeira prestação a partir do segundo ano de estabelecimento. Assim sendo, foi realizada a fundação da Colônia Nacional de Angelina, no decorrer do ano de 1860 (PERARDT, 1990, p.33-36).
A Lei de criação foi aprovada em 10 de dezembro do mesmo ano.
O nome da Colônia foi escolhido em homenagem ao Presidente do Conselho de Ministros, denominado Ângelo da Silva Ferraz. O Presidente do Conselho de Ministros, era uma liderança que assessorava D. Pedro II nas questões governamentais. Neste caso, Ângelo Muniz teve influência na liberação dos recursos para financiar a fundação da colônia.
Neste mesmo ano de fundação, houve elaboração de leis que regulamentavam a instalação dos colonos e a administração. É importante destacar que toda esta legislação foi discutida e aprovada na Assembléia Provincial da época.
O primeiro administrador foi o agrimensor Carlos Otthon Schalappal.
Na época havia um local situado numa baixada próxima ao Ribeirão Mundéus, com grande quantidade de água onde os tropeiros descansavam. Este local foi escolhido como sede da colônia.
Após as primeiras medições foram estabelecidos os limites da mesma: ao leste com a propriedade de Pedro Waltrich, na Colônia de São Pedro de Alcântara; ao oeste com Taquaras; ao norte passando pelas margens do rio Garcia ia até o lugar denominado Major e, ao sul, seguindo o ribeirão dos Mundéus, até a Colônia Santa Isabel.
Quanto à área, no ato da criação, compreendia 9 milhões de braças quadradas (cerca de 43,5 Km²) e em 1867, devido a maior procura de terras, foi ampliada ao dobro, isto é, 18 milhões de braças quadradas ou 87 km².
1.3 – PRIMEIROS COLONOS E DISTRIBUIÇÃO DOS LOTES
A colônia deveria ser composta de famílias nacionais, as quais deveriam ser de boa conduta. Quanto aos lotes recebidos deveriam ser usados somente para o cultivo.
As primeiras oito famílias chegarem, segundo o administrador Schalappal, em 23 de março de 1861. Logo após receberam do Presidente da Província, Francisco Carlos de Araújo Brusque, o titulo provisório de ocupação, sendo que o título definitivo só passariam a receber após o pagamento final dos lotes.
Em abril de 1861, já existiam 125 lotes medidos e demarcados. Ao chegar à Colônia, os colonos se instalavam num barracão e após construírem suas casa em seus próprios lotes e passavam a morar ali.
Para o cultivo da terra recebiam ferramentas: enxadas, machado, enxadão, foice. E, às vezes, auxilio para a primeira derrubada.
A Colônia Nacional de Angelina foi essencialmente uma colônia agrícola, sem métodos e técnicas apropriados, como era a tradição na agricultura brasileira da época. No início de 1862, a colônia contava com 24 famílias. Em março, segundo o conselheiro Vicente Pires da Mota, já haviam 100 pessoas proprietárias de 28 lotes, onde produziam batata, milho, feijão e alguns produziam erva-mate. Em 1863, a colônia contava com 51 lotes distribuídos. Era contabilizada uma pequena produção de batatas, feijão, milho, fumo, mandioca e erva-mate. No primeiro ano de cultivo, a colônia apresentou resultados esperados. A partir de 1863, foi constatado um solo pouco fértil e improdutivo.
O Presidente da Província, Pedro Leitão da Cunha, em 1863, visitou a Colônia Nacional de Angelina e constatou que os colonos estavam em estado de penúria, pois não havia igreja, hospital, escola, comércio e outros atendimentos. A partir de 1865, aos jovens solteiros com compromisso de casar, era dado o direito de adquirir uma propriedade para se estabelecer na colônia.
Neste mesmo ano, a Colônia Nacional de Angelina contava com 130 lotes demarcados, dos quais 114 distribuídos, sendo 88 definitivos e 26 em processo. Ainda não haviam criado escola, hospital e igreja.
Até 1866, a colônia de Angelina era ocupada por luso-brasileiros. Mas, no mesmo ano, houve interesse de pessoas de origem alemã, especificamente da Colônia Santa Isabel em se fixar na colônia. As razões pelas quais os colonos de origem alemã queriam deixar Santa Izabel para morar em Angelina, estão relacionadas à falta de terras com solo fértil, estado de abandono em que se encontravam e outras. Assim, cerca de 30 famílias vieram se estabelecer em Angelina.
Desta forma, em 1866, 1,5% da população era alemã e dez anos depois, já era de 9,8%. No final de 1866, havia 105 casas com 156 lotes demarcados, dos quais 139 distribuídos: 105 deles com estabelecimento definitivo e 34, em processo. Apesar de ser observado aumento de colonos, continuavam as saídas e trocas de lotes.
Casa típica alemã - Betânia Em 1867, houve o aumento de 37 casas. Haviam178 lotes demarcados, sendo 152 distribuídos: 140 deles com estabelecimento definitivo e 12 em processo.
Em 3 de novembro de 1869, Carlos Othon Schalappal deixou o cargo de diretor da colônia, assumindo o seu lugar Manoel Antonio Marques de Faria, no período de 7 meses.
Em setembro de 1869, a colônia contava com 142 famílias e 744 habitantes. Por não ter diretor na colônia, a partir de 1869, os colonos já estabelecidos e os que chegavam, encontravam a colônia desorganizada nas medições e demarcações dos lotes.
Em 1872, alguns colonos mais antigos não estavam em dia com os pagamentos dos lotes. Então, o diretor da colônia, Joaquim José de Souza Corcoroca, escreveu para o Presidente da Província para que tomasse providencias a respeito.
Nos fins de 1873, chegaram à colônia os primeiros imigrantes alemãs num grupo formado por 8 famílias, totalizando um total de 48 pessoas. Estes vieram diretamente da Alemanha. Os anteriores vieram de Santa Isabel e arredores. Com isto, Angelina perdeu o caráter de colônia nacional que era o objetivo inicial. Isto é, a partir daí, a colônia contava com pessoas estrangeiras e não só nacionais.
Sendo os diretores da colônia de origem alemã, passaram a priorizar a colonização com estrangeiros, juntamente com os Presidentes da Província. Apesar disso, havia interesse de colonos nacionais de se instalarem em Angelina.
Desta forma, até a emancipação da colônia (03/12/1881), Angelina passou a receber colonos nacionais, estrangeiros e entre os estrangeiros havia alemães, franceses, e escravos (PERARDT, 1990, p. 40-53).
1.4 - PROBLEMAS MÉDICO-SANITÁRIOS
Os problemas médico-sanitários existiram desde o início. Porém, passaram a ter maior atenção quando o diretor da colônia passou a ser o Dr. Manoel Marques de Faria, que viu a necessidade de medicamentos.
Foi então autorizada pela Presidência a compra de medicamentos, mas isto não bastava, e o problema se agravava, uma vez que não havia uma farmácia, nem um médico especializado.
Aos 26 de março de 1875, foi o Dr. Martinho Leocádio Cordeiro, nomeado médico da colônia e a 24 de junho, iniciou sua função. Entretanto, com sua chegada apareceu ainda uma série de questões que não foram analisadas: primeiro que foi trazida da corte uma botica completa na importância de “900 e tantos mil réis” dado pelo governo geral, e para isso era necessário que fossem tomadas as providências para a vinda de volumes; segundo, que fosse arrumada uma casa para colocar-se a botica; terceiro, precisava-se uma residência para o medico e sua família, mas na colônia não havia casa destinada a médicos. Este problema foi resolvido ao encontrarem duas casas a serem alugadas.
Mesmo já se achando com os problemas resolvidos, as dificuldades continuaram a surgir quando despontaram suspeitas entre o diretor e o médico. Assim se declarou o médico:
“Não posso deixar de declarar a V. Excia reservadamente, que tendo observado bem de perto as continuadas exigências do mesmo médico, infiro, que na parte onde diz obrigar-me a ter sempre sortida a botica e ter um ajudante de sua confiança, trará para o futuro embaraços a esta direção, com bastantes reclamações, dos colonos, por que o mesmo já me preveniu que tinha ordem de V. Exa., o Sr. Ministro da Agricultura, para levar o dinheiro àqueles que estivessem nas circunstancias de pagar, o que na verdade concordo. Mas V. Exa. sabe que na colônia, com exceção de 4 a 6 colonos os mais são sumamente pobres, e sendo- lhe concedido, o que mesmo reclama do governo para o futuro pode o mesmo médico exigir pagamento daqueles que não estão no caso de pagar!
V. Exa. não ignora que já em tempos, que estive como Diretor das colônias Therezópolis e Santa Izabel foi para as mesmas colônias um médico o Dr. Manoel Faria, que abrange as duas colônias contratado, ainda acha que o governo deve-lhe mais uma gratificação” (PIAZZA, 1973, p. 91)
As intrigas entre o médico e o diretor recrudesceram quando o diretor consultou a Presidência da Província sobre a licitude de cobrar remuneração pelo atendimento aos colonos.
O presidente então se informou com o ministro da agricultura sobre tudo porque o médico mandara esta carta:
“A contribuição pecuniária pelos serviços médicos que houver de prestar que a simples moradores desta colônia e, de suas circunvizinhanças, que estiverem como V. Mcê.
No caso de poder pagá-los é propriedade minha, que me foi garantido pelo governo imperial, por ocasião de ser eu nomeado para o lugar de médico desta colônia, e de que não posso ser esbulhado pelo Sr. Diretor desta colônia, potência contra que devo protestar” (PIAZZA, 1973 p. 92).
Dia 23 de outubro de 1875, retirou-se da Colônia Nacional de Angelina o médico, sem a menor comunicação à direção. E somente da Várzea Grande, distrito da freguesia de Santo Amaro do Cubatão, o médico enviou ao diretor, material em seu poder, menos a chave da casa em que residia. O médico foi substituído por Dr. Antonio José Sarmento e Mello, contratado a 5 de janeiro de 1876.
Foi também contratado um farmacêutico. Este logo iniciou suas atividades solicitando “mostarda em grão, raiz dealthéa, óleo de rícino, manna, éther sulphurico, Senna, pomada de saturno, ungüento de basilicão”. Afirmou serem desnecessários outros remédios existentes na “velha botica”. (PIAZZA, 1973, P. 94).
Posto avançado do Banco do Brasil – 1980
Estes, ele guardou num armário envidraçado para preservá-los. Aos 18 de fevereiro de 1879, o médico, Antonio José Sarmento e Mello, deixou a colônia, por haver o governo imperial reduzido a duzentos mil réis a gratificação de trezentos mil réis mensais, que recebia. Logo, contratou-se o farmacêutico Joaquim Caetano da Silva, que tinha a função também de professor.
Sentindo a necessidade da farmácia, o novo farmacêutico solicitou suprimento através de um oficio. Mas as coisas agravaram-se e o farmacêutico teve que fazer visitas médicas aos colonos, “o que lhe traz não somente aumento considerável de trabalho, como de despesas com sustento de animais” e pediu equiparação de vencimento aos demais farmacêuticos das colônias do estado da Província. (PIAZZA, 1973, p. 95). Desde então, os colonos ficaram sem a devida atenção médico-sanitária.
1.5 – CARACTERÍSTICAS ECONOMICAS
A descrição do contexto econômico da colônia Nacional de Angelina compreende o período de 1861 até 1881. Os dados ou informações, a respeito do assunto, foram obtidos a partir dos relatórios dos diretores da colônia enviados, geralmente, ao presidente da Província. Estes relatórios foram elaborados de uma forma até bastante detalhada. Mesmo porque, pelo que parece, isto era uma das obrigações dos diretores.
Neste período a economia, como era de se esperar, foi basicamente de caráter agrícola. Embora apareçam nos relatórios dados referentes à criação de animais, como por exemplo, suínos, cavalos, muares, gado e galinhas.
Entre os produtos agrícolas os mais produzidos eram o milho, a mandioca, o feijão, o arroz, a batata inglesa e o fumo. Porém, chama a atenção o fato de aqui, naquela época, os colonos produzirem também trigo, algodão, café, oliveiras, linho e azeite de mamona. Estes produtos, sabe-se, não são muito próprios para o local, devido a ser o clima um fator adverso, por exemplo, para o algodão e para o café.
Neste sentido, percebeu-se que os colonos fizeram muitas tentativas, durante muitos anos, de produzir aqui estes produtos, apesar da geada ter interferido. Assim, surgiu a suspeita de que, tanto por parte dos diretores como por parte dos colonos, não possuíam estes grandes conhecimentos técnico-agrícolas.
Houve um considerável aumento da produção agrícola e pecuária, conforme iam passando os anos e aumentando a vinda dos colonos.
No território da colônia encontrava-se uma elevada quantidade de pés nativos de erva-mate. Na década de 1860, em função disto foi produzida uma razoável quantidade de erva-mate, a qual era exportada e consumida em forma de chá. Entretanto, a qualidade não era das melhores, perdendo concorrência com outra que era produzida no norte da província, ocasionando um baixo preço. Assim, os colonos, aos poucos, foram deixando a produção.
No ano de 1866, o então diretor da colônia, Carlos Othon Schalappal, reuniu alguns produtos e participou da 2ª Exposição Nacional no Rio de Janeiro, onde foi premiado com menções honrosas pela qualidade dos produtos expostos. Entre eles destacam-se: coleção de cipós (para medicina, na indústria têxtil e de balaios), milho, alho, mel, feijão, amendoim, balaios de taquaras, fumo em corda, erva-mate, farinha de cariman e de mandioca, etc.
No setor industrial manufatureiro, destacou-se a produção de açúcar de cana, cachaça, tecido de algodão, farinha de mandioca e de milho. Desta forma, em 1875, por exemplo, havia 7 teares à “fabricar riscado de algodão e pano da terra”, 21 engenhos de açúcar, 38 de farinha de mandioca, 2 de farinha de milho e 1 alambique. Havia também alfaiates, carpinteiros e sapateiros. Quanto ao comercio, em 1875, por exemplo, encontravam-se “4 casas de negócio” na colônia.
A produção excedente, então, era comercializada por estas casas ou por outras estabelecidas em São Pedro de Alcântara, havendo uma determinada exportação de produtos.
Muito do que era produzido, segundo os referidos relatórios, era consumido na própria colônia. Porém, em vários anos do período do citado, ocorreram importações de determinados produtos.
1.6 – PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO
Só em 1865 foi lembrada a escolarização da população infantil da colônia por haver numero suficiente de meninos para freqüentar.
A Lei nº 574, de 4 de maio de 1866, autorizava a contratação de um padre, que seria também professor primário, recebendo 200.000 réis anuais. Mas, como padre e professor não seria fácil de encontrar, foi pedida autorização à presidência da Província para “propor um professor com as habilidades precisas” para reger interinamente o ensino elementar na colônia. O problema foi solucionado com a contratação do cidadão Manoel Severino Botelho, professor particular, com a gratificação mensal de 25 mil réis.
O diretor da colônia foi nomeado sub-diretor da escola publica da colônia em 31 de outubro. Entrou em exercício em 1º de dezembro.
Em 1867, a escola contava com 31 alunos.
O professor Manoel Severino Botelho, em 5 de junho de 1868, foi exonerado a seu pedido. Em 10 de novembro de 1868, foi nomeado Francisco Bernadino de Faria, professor público interino da Colônia Nacional de Angelina. E no final de 1868, a escola era freqüentada por 20 alunos e funcionava na casa de Carlos Othon Schalappal ex-diretor da colônia.
O Diretor da colônia Joaquim Jose de Souza Corcoroca pediu ao Presidente da Província para construir um nova escola que foi edificada com a ajuda de alguns habitantes, faltando concluir a obra com o forro, envidraçar 6 janelas, pintura e reboco da cal interior. No mês de dezembro de 1869, já funcionava a escola em uma das salas. A nova escola era composta de 6 janelas, 3 portas, telha, assoalhada com 31 pés de frente, 21 de fundos e 7 de altura.
No final do ano de 1971, era professor interino João Luiz da Silva Leal que muito influiu para tal melhoramento nesta escola, onde estavam matriculados 20 alunos. Enquanto escola, foi criada pela lei Provincial nº 575, de 4 de maio de 1866, e artigo 7º da lei nº 586 de 28 de junho de 1867.
Em 1874, a situação escolar era regular com 24 alunos, sendo professor João Maria Melo da Luz, que retirou-se da colônia em 23 de outubro de 1875. Era raro o colono que sabia ler e escrever.
De 23 de outubro a 21 de dezembro de 1875, foi professor Julíão Gomes do Amaral, que exercia também a profissão de farmacêutico.
Em março de 1876, foi empossado o professor Francisco José Correia Rheinhardt, que solicitou material necessário a sua escola: papel almaço pautado, almaço liso, penas de pau, lápis de pedra, translados de bastardinho, translado de bastardo, campainha, livros de Abílio, taboadas, cartilhas de doutrina, canetas de pau e boiões de tinta preta.
A situação escolar não era das melhores, com a necessidade de mais escolas primarias para ambos os sexos, já que havia na colônia cerca de 120 menores, de 6 a 12 anos, reclamando o pão de espírito, bem como aulas para adultos no período noturno, pois poucos sabiam ler e escrever, apenas cerca de 10 ou 12 colonos.
Em 1876, havia na sede da colônia uma escola pública de letras para sexo masculino dirigida pelo professor Francisco José Corrêa Reinhardt, com 22 alunos e o professor era elogiado pelo trabalho.
Em 1877, a escola contava com 22 alunos que no tempo de plantação saiam da escola para dedicar-se ao cultivo de plantações.
Havia necessidade da criação de mais escolas públicas, pela distancia de três léguas, mais ou menos, da sede da colônia, de modo que os meninos moradores não podiam aproveitar o ensino. O professor entrou em licença em 7 de fevereiro, ficando como substituto Julião Gomes do Amaral.
Em 1879 foi contratado um novo professor, Joaquim Caetano da Silva que exercia as funções de farmacêutico.
Desfile de 7 de setembro de 1952
1.7 – OS INDÍGENAS E A COLÔNIA
É bastante interessante notar que, nos dez primeiros anos de vida da colônia, está teve maiores dificuldades com os indígenas. Seguidamente ocorriam encontros pouco pacíficos entre colonos e índios. Por exemplo, estando fixados alguns colonos na margem esquerda do Rio Garcia e, com receio de sofrer algum ataque, pediram auxilio à Presidência da Província, para que fornecesse por empréstimo do corpo policial, armamentos para serem distribuídos aos colonos ali residentes.
Em 1877, eclodiu próximo da colônia um choque de resultados prejudiciais aos colonos. Nas imediações desta colônia, distante talvez três léguas, mais ou menos, os índios mataram, em uma roça, três filhos de Mathias Kalbusch, no lugar denominado Taquaras.
Num relatório de 1877, foi informado que “os indígenas, conhecidos aqui nesta província com o nome de Bugres, têm este ano constantemente aparecido em varias linhas, sendo que seu aparecimento sempre traz um continuo sobressalto aos colonos”.
No dia 4 de março, daquele ano, o Inspetor de Quarteirão Henrique Jünck entrou com dez companheiros no mato, para verificar se era ou não exato que os índios apareceram em terras do colono Augusto Schubert. Seguidos rio acima de um confluente do Rio Engano, acabaram por encontrar vestígios de índios.
Entretanto se os índios “atacavam”, isto representava uma reação justa da parte deles, já que não foram eles que invadiram terras alheias por primeiro. Pois, não se tem registros de uma negociação havida entre colonos e/ou administradores da colônia com os índios.
“Em 28 de novembro de 1904 aconteceu mais um lastimável incidente. Era festa de inauguração da igreja Luterana de Coqueiros, na Colônia de Santa Isabel, quando os dois índios atacaram uma localidade vizinha, em Rio Engano. Lá, mataram 6 pessoas: o avô, a mãe e 4 filhos de uma maneira cruel, o que se evidenciava pelos bárbaros ferimentos das vitimas. O marido e outros membros da família estavam na localidade vizinha nesta festa de inauguração. Ao chegar em casa o susto foi grande, pois fazia 25 anos que os índios não apareciam na localidade. Alguns dias depois os índios mataram um cavalo e duas mulas, além de levarem um porco gordo e objetos de metal.
Por estas atrocidades os índios pagaram caro. A pedido de colonos, o Governador enviou o caçador de índios, chamado Martinho, reconhecedor dos costumes indígenas, para vingar o ataque. Martinho Bugreiro, como era conhecido, reuniu algumas pessoas da região e embrenhou-se na mata a procura do acampamento indígena. Após alguns dias, encontrou um grande acampamento composto por 39 cabanas pequenas e, ao lado, uma de grandes proporções. Nesta estavam reunidos os homens, ocupados com trabalhos manuais. Os bugreiros planejaram o “serviço” e, estrategicamente posicionados, começaram a execução da tribo. Terminada a barbárie:
Trouxeram 5 crianças na faixa etária de 03 a 12 anos; 05 cargas de mula com flexas, arcos, cestos e outros objetos. Um dos índios raptados que não queria andar foi morto, além do cacique. Por parte dos bugreiros foi morto o irmão do chefe da Expedição. Cada bugreiro recebeu do Governo, pelo serviço 33 mil réis, além de presentes da população agradecida. Martinho, como recompensa, ganhou uma espingarda.
Os índios capturados eram requisitados pelo Governo e pela igreja católica que os batizava e educava. No inicio do século XX, os “batedores de mato”, com seu comportamento desumano fuzilaram, sem piedade, 145 botocudos entre adultos e crianças. Como troféu, dessa campanha assassina, levaram para Florianópolis 10 inocentes, que o governador fez entregar o asilo de órfãos. O final do episódio foi triste: quase todos faleceram.
Não foi esta a única vez que o homem branco tentou “educar”, à força índios remanescentes das tribos que povoaram o território catarinense.
Em 1905 o Colégio das Irmãs da Divina Providencia recebeu 14 indígenas – duas mulheres e doze crianças – para nele serem educadas e “civilizados”. As índias conseguiram escapar do Colégio acompanhadas de quatro crianças. Capturadas novamente, não resistiram à alimentação e quase todas morreram.
Família de colonos no Centenário de Betânia
1.8 – OS FATORES DO FRACASSO DA COLÔNIA NACIONAL DE ANGELINA
De modo geral, os fatores mais influentes do fracasso de classificam de acordo com o que segue, conforme PERARDT (1990, p.62):
1º - LOCALIZAÇÃO GEOGRAFICA – A Colônia Nacional de Angelina sente a má localização geográfica. As instruções de 10 de dezembro de 1860, traçam as diretrizes da colonização nacional, localizam a colônia, geopoliticamente, como uma cunha entre os imigrantes alemães nórdicos, da língua saxônica, da região de São Pedro de Alcântara, Leopoldina e Teresópolis. A finalidade era atrair para o interior da província de Santa Catarina o excesso populacional da área litorânea, e, alem de ocupar de forma estratégica e definida o lugar, o novo empreendimentos estaria conforme os interesses políticos das autoridades migratórias.
A antiga estrada de Lages foi motivo inicial para fixar o lugar da Colônia Nacional de Angelina. Porém, no momento em que foi aberto um trecho da nova estrada Desterro-Lages, que passou pelo atual município de Águas Mornas, percebeu-se que a instalação da colônia ficou localizada fora do eixo comercial Desterro-Lages.
O Governo Imperial ditou as leis e escolheu os lugares da colônia, porem, pouco fez para que houvesse um desenvolvimento econômico-social razoável. Os reflexos da política migratória acompanhavam o futuro da colônia. O pequeno desenvolvimento que houve foi fruto do esforço individual dos seus administradores e dos colonos.
2º - ORDEM ECONOMICA E BUROCRATICA – houve por parte da ação política administrativa, desigualdades no tratamento econômico dado à colonização “nacional” em beneficio a colonização estrangeira. E com isso, não houve igualdade com relação às demais colônias de Santa Catarina. A carência de recursos financeiros trouxe graves conseqüências para o empreendimento colonizador.
A província de Santa Catarina em 1863, votava anualmente 4:000 réis para as despesas do estabelecimento e 1:200 réis ao diretor. Com o dinheiro que sobrava pouco se podia fazer. Assim, a pobreza era grande e constante.
As obras de vital importância para a colônia deixavam de ser autorizadas pelo governo Provincial. Até 1864, não tinha escolas, igrejas, hospital, botica (farmácia) e nem casa para o Diretor da Colônia.
3º - VIAS DE COMUNICAÇÃO E ISOLAMENTO – Um dos problemas para o desenvolvimento da Colônia Nacional de Angelina foi o isolamento das precárias vias de comunicação. A colônia localizada longe do centro consumidor não pôde desenvolver uma economia de mercado, sem tecnologia e capital, não possibilitando o desenvolvimento econômico, social e industrial de sua área.
Alguns comerciantes conseguiram adquirir a produção agrícola e preços baixos. Esses passaram o produto para o centro, como a Praia Comprida e a capital.
E muitos agricultores de Angelina abandonaram a colônia, ou ali permaneciam até morrer sem que tivessem conhecido melhores estradas.
Sem boas vias de comunicação ligando os centros produtores aos consumidores, não havia a produtividade e valorização dos produtos agrícolas.
Veja como foi o desenvolvimento das vias de comunicação, desde a criação da colônia até os dias atuais, conforme PERARDT (1990, p.70):
A – ANGELINA FLORIANÓPOLIS
Da sede da colônia até São José, só havia uma picada, os tropeiros atravessavam o sertão em busca de comércio com a população litorânea.
A Colônia Nacional de Angelina foi localizada à margem da “estrada velha de Lages”, que descia por Taquaras, passava por Angelina e seguia por São Pedro de Alcântara.
Com a ausência das vias de comunicação nos primeiros anos, Angelina se comunicava com a Capital do Estado, ou com o seu município, São José, através do caminho das pedras, valetas, atoleiros que escondiam traiçoeiras armadilhas para os cascos dos animais.
Essa estrada ruim, sempre necessitava de homens que trabalhavam na sua manutenção. Em 1861 já pensava-se em expandir as vias de comunicação.
Em julho de 1861, contrataram Adriano Machado da Luz, para abrir um caminho na Colônia, desde o morador Waltrich, até Barro Branco. Esse trabalho se estendeu até o final da colônia de São Pedro de Alcântara.
B – ANGELINA LAGES
Em 1864, passaram os gastos a ser mensais na abertura da estrada velha para Lages, na importância de 50$000 réis. E com autorização do Presidente da Província aumentaram-se para 10O$000 réis mensais os gastos das obras. No ano de 1864, foi gasto nessa estrada 331$250 réis.
Neste mesmo ano a estrada para Lages estava já aberta para os tropeiros numa extensão de 7.786 braças da sede da colônia de Taquaras, onde a estrada velha encontra a de Cubatão.
Em 1869, Joaquim de Souza Corcoroca achou a estrada intransitável, e os colonos prestavam seus serviços, mais que animados, com seis dias de serviços, pagos por cada chefe de família.
A ligação de Angelina com Taquaras era de maior conveniência, pois os tropeiros se dirigiam ao norte da Província e passavam pela Colônia até atingir Itajaí ou São José.
Essas estradas foram ameaçadas quando a estrada de Caldas da Imperatriz, sobre Santo Amaro e Taquaras, foi aberta. Às tropas, deixando a variante Angelina – Florianópolis bem menos usada.
Com pequenas modificações a ligação é a mesma que atinge Rio Bonito e Rancho Queimado, encontrando a rodovia Florianópolis – Taquaras – Lages. Angelina ficava localizada fora da principal rota econômica e seu desenvolvimento não foi aquele que se esperava. Foi uma das razões do seu fracasso.
C – ANGELINA TIJUCAS
Em 1862, o Presidente da Província de Santa Catarina abriu um caminho em direção a Tijucas, a fim de facilitar o transporte da produção que era crescente rumo a Capital com: 528 braças e 3 palmos de extensão, com 20 palmos de largura, toda de cava de 8 a 14 palmos com 3 pontilhões.
Em 1864, fizeram concertos nas estradas como covas, estivas e pontes para evitar as enchentes do rio Mundéus. O trabalho era feito com enxadas, picaretas e foice. Em 1864, concluiu-se uma etapa do caminho que dá acesso aos primeiros moradores do Alto Tijucas Grande, no lugar chamado Ribeirão do Major, com contrato de extensão de 3.382 braças.
No final de 1867, foi terminada a estrada de Tijucas desde o lugar do ‘Major’ até o estabelecimento dos Italianos. A estrada aberta do ribeirão dos Mundéus, até no Alto Tijucas Grande, teve a extensão de 32.504.450 m. E a ligação da estrada com a colônia Príncipe D. Pedro. E assim Angelina ficaria em relação direta com os colonos de Itajaí.
Em 1870, os cofres públicos esgotavam as verbas para a colônia. Já em 1871, os concertos e obras eram determinados pelo Presidente da Província. Ao final de 1875, começou a ser estudada uma proposta de Frederico Von Schaler: uma estrada a partir da Vargem dos Pinheiros, até a colônia evitando o morro das quatorze voltas.
Em 1877, achava-se pronta uma distância de 4.125 metros. O que mais prejudicou a Colônia Nacional de Angelina até sua emancipação e alguns anos, até a quarta década foram as precárias vias de comunicação.
A principal ligação de Angelina com a Capital continuou a mesma, passando pela Vargem dos Pinheiros, Barro Branco, Santa Filomena, São Pedro de Alcântara, Colônia Santa Teresa, Santa Ana, saindo em São José e tocando a BR-101.
Em 1871, concluíram-se 300 braças de caminho pela margem direita do Rio Garcia, com desvio ao caminho do morro de Santa Ana, contornando o Rio Tijucas até o ribeirão do Major que era o limite da colônia. Enfim, só bem mais tarde, no nosso século é que pode ser aberta uma comunicação melhor, descendo o morro do Garcia, atravessando a cidade do Major Gercino até São João Batista, dali em direção a opcional Tijucas (BR – 101), ou a Nova Trento e Brusque, atingindo em Gaspar o asfalto da Jorge Lacerda.
Somente oito décadas após a sua fundação, Angelina teve melhores vias de comunicação. E por um acaso foram concretizados os planos do Governo do estado a construir em Angelina uma usina elétrica sobre o rio Garcia. A estrada Angelina-Florianópolis recebia o trafego mais pesado. A espera foi longa, pois a Usina de Garcia com (9.600 KWS de potência) só foi inaugurada em 1962, um ano após a criação do Município de Angelina.
1.9 – A EMANCIPAÇÃO DA COLONIA NACIONAL DE ANGELINA
De acordo com PERARDT (1990, p.89), Angelina nasceu como uma colônia republica diferente das colônias particulares, por exemplo, da colônia de Blumenau. Como tal, tem que ser entendida de acordo com os princípios e interesses de povoamento e ocupação de terras devolutas da época, tanto da parte da Província como por parte do Império.
Desta forma, criada como colônia publica de caráter nacional, em 1861, a sua administração devia ser composta por diretores indicados pelos governos Imperiais. Porém, pelo fato de ter sido sua criação uma iniciativa do então Presidente da Província, Antonio Carlos de Araujo Brusque, os diretores foram indicados pelos respectivos presidentes da Província. Somente a partir de 1874 é que os diretores da colônia seriam indicados diretamente pelo governo imperial.
Em função disto, em 1874, foi estabelecido que na colônia seria instituído o Registro Civil. Isto representava que os colonos poderiam requerer determinados documentos na sede da colônia. Entretanto, a Câmara Municipal de São José, que realizava tal tarefa, não repassou o devido material e registros necessários, ficando a situação como era antes por mais alguns anos.
A emancipação representava uma autonomia administrativa em relação ao governo imperial e provincial. Alem disso, implicava que a que a colônia se integrava de uma forma mais completa ao contexto catarinense.
Assim, a primeira atividade realizada em favor da emancipação, foi à criação de uma sub-delegacia de policia em 1867. Isto foi iniciativa do então diretor da colônia Carlos Othon Schalappal.
Na criação da sub-delegacia de policia foram marcados os limites fronteiriços da colônia, ficando estabelecidos da seguinte forma: - ao leste limitava-se com o Distrito de São Pedro de Alcântara, extremando com os moradores Pedro Waltrich e Adriano Machado da Luz; - ao oeste, limitava-se com os colonos de Santa Isabel no lugar denominado Taquaras; - ao sul, limitava-se com Santa Isabel; - ao norte, com os moradores do Alto Tijucas Grande/Major.
Para esta sub-delegacia, foi nomeado para administrá-la, o colono Joaquim Francisco Silveira, o que não agradou muito ao diretor da colônia, Joaquim José de Souza Corcoroca.
A segunda atividade que favoreceu a emancipação, foi a partir de 1881, quando Angelina deixou de ser considerada colônia de caráter nacional. Esta atividade ocorreu através da publicação do Decreto 8.333, de 3-12-1881, do governador imperial. Este ainda em 1880, por falta de recursos próprios em função de um relativo crescimento das colônias nacionais, decidiu não mais financiá-las, deixando que os governos das províncias e as próprias colônias resolvessem o financiamento e continuidade. Angelina, em decorrência disso, tornou-se definitivamente parte integrante da Província de Santa Catarina e especificamente do município de São José.
Com efeito, deixou de ser colônia de caráter nacional para sempre. Passou a ser uma área igual a qualquer outra, pertencente ao município de São José.
Uma terceira atividade que ajudou Angelina a ficar cada vez mais autônoma, foi através da instalação do Distrito da Paz em 1891, por meio do Decreto nº 40, de 10/01/1891, sendo seu primeiro juiz da paz o Sr Francisco Schustel. Os limites que deveriam abranger o então distrito da paz, continuaram os mesmos da sub-delegacia de policia.
A partir de então, Angelina ficou sendo distrito integrante do município de São José, dependente deste em tudo o que se referia aos aspectos políticos, jurídicos e econômicos.
Finalmente em 1961, Angelina tornou-se município, emancipando-se de São José. Então, um século depois da fundação da Colônia Nacional de Angelina (1861), foi criado o município de Angelina, a 7 de dezembro de 1961, conforme lei estadual Nº: 781 e instalado aos 30 dias daquele mês e ano.
Aprovada a lei de criação do município, Angelina passou a ter os seguintes limites:
  • a) Com município de Biguaçu, hoje com o município de Antonio Carlos;
  • b) Com o município de São José, hoje município de São Pedro de Alcântara;
  • c) Com o município de Bom Retiro, hoje município de Alfredo Wagner;
  • d) Com o município de Nova Trento, hoje Leoberto Leal;
  • e) Com o município de Major Gercino;
  • f) Com o município de Águas Mornas;
  • g) Com o município de Rancho Queimado.
1.10 – O CRECIMENTO POPULACIONAL, POSTERIOR A EMANCIPAÇÃODA COLONIA DE ANGELINA (1881)
À época do primeiro recenseamento geral do Império do Brasil, Angelina em 1872, tinha 1004 habitantes.
No recenseamento de 1920, como sendo distrito de Município de São José, apresenta-se com um total de 5.114 habitantes, dos quais 2.583 homens, 525 alfabetizados e 2058 analfabetos e 2531 mulheres, sendo 360 alfabetizadas e 2171 analfabetas.
A divisão etária pode ser assim estabelecida: HOMEM de 0 a 6 anos, 699; de 7 a 14 anos, 578; de 15 a mais anos, 1.306; MULHERES de 0 a 6 anos, 681; de 7 a 14 anos, 582; de 15 a mais anos, 1288. fica clara a falta de escolarização e por isso mesmo, carecia de perspectivas para um desenvolvimento econômico-social.
Em 1940, Angelina aparece dentro do município de São José integrando dois distritos: Angelina e Garcia. No distrito de Angelina com uma população de 2.552 habitantes, dos quais 1.231 homens e 1.321 mulheres. O distrito de Garcia apresentava-se com um total de 3.150 habitantes, sendo 1.620 homens e 1.530 mulheres.
Em 1940, segunda o senso realizado no ano em tela, tinha um total de 5.702 habitantes. No recenseamento de 1960, Angelina e Garcia totalizavam 7.474 habitantes. Em 1970, a área da antiga Colônia Nacional de Angelina estava praticamente incluída no município de Angelina. Atualmente, o município conta com 5.322 habitantes, de acordo com o último senso demográfico. 

O ATENDIMENTO HOSPITALAR ANTES DA FUNDAÇÃO DO HOSPITAL MATERNIDADE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
As pessoas, desde muito tempo, procuravam à farmácia do colégio, então convento das Irmãs Franciscanas de São José. Ali trabalharam diversas Irmãs enfermeiras, por exemplo, Irmã Joaquina e Irmã Petrina Back.
A certa altura trabalhou um farmacêutico chamado Aldo Davi que atendia na casa do Sr. Amandio Schmitz, no centro. Também, uma vez por semana vinha um médico de Florianópolis que atendia na casa do Sr. Lino Koerich e Bertoldo Kretzer.
De modo geral os medicamentos mais importantes provinham de receitas médicas. Porem eram muitos medicamentos caseiros, dependendo da doença. As injeções eram pouco usadas.
Em casos graves de acidente as providências eram tomadas mais a sério, procurando levar o doente para Florianópolis, com o jipe da Paróquia, ou outros como o carro de mola ou charrete de tração animal, até a casa do Sr. Fridolino Schmitt, onde então o mesmo levava o doente até o hospital ou recurso mais próximo. Fridolino Schmitt residia em Santa Filomena. Pertencia à Paróquia de São Pedro de Alcântara.
Mais tarde, as Irmãs do Colégio compraram uma caminhonete e em muitas viagens, o motorista era Odilo Kretzer. Este era acompanhado de uma Irmã enfermeira que juntos conduziam senhoras para dar a luz em maternidades, mais muitas vezes no trajeto de Angelina a Florianópolis chegaram a nascer vários bebês.

Logo, fundou-se uma maternidade denominada de “Nossa Senhora de Angelina”, situada na casa de José Simas, mas fracassou.
Aos 18.02.1917, na localidade de Rio Forquilhas, atual município de São Pedro de Alcântara, Bernardina Zimermann, prematura de 7 meses, pesando pouco mais de 1 kilo. A menina cresceu e desenvolveu-se, e sempre acompanhada da curiosidade de “descobrir” de onde “vinham os bebês”. Um dia descobriu. Em 1946 seu pai levou-a para Florianópolis, para fazer o curso de Enfermeira-Obstetra na Maternidade Dr. Carlos Correia.
Bernardina Zimermann

Voltou para casa de seus pais, e já com registro da profissão no Departamento Autônomo de Saúde Pública de Santa Catarina – DASP -, começou a exercer sua profissão de parteira, servindo às gestantes em seus domicílios. Não importavam o horário, as condições do tempo ou meio de transportes; La ia ela servir a quem dela precisasse.
Em 01/07 de 1957, Angelina, já contava com uma considerável população, e visto que aqui não havia uma parteira com curso especializado (a população era servida por “senhoras entendidas”), a Sra. Bernardina Zimermann foi nomeada pelo DASP, para atuar neste município. Não havendo um lugar próprio para o trabalho, à mesma fixou-se na casa da Sra. Olinda Schmitt, cujos pais se conheciam.
Durante três anos seguidos, sem nunca haver tirado férias, serviu a população sérvio a população no mesmo sistema de antes: visitando os domicílios para onde era solicitada. Assim acompanhou o nascimento de 1.409 bebês.
Mas, por ser algo tremendamente desgastante, principalmente no inverno e a noite, Bernardina e Olinda resolveram instalar provisoriamente uma maternidade em uma antiga casa comercial, de propriedade de Amandio Schmitz, situada próxima da praça central. O primeiro bebê que ali nasceu, foi Leonardo Hames, atual vereador deste município, no dia 6 de Novembro de 1960, filho do Sr. Paulo e Sra. Rainildes Hames, residentes na localidade de Betânia. O menino recebeu o nome de Leonardo, pois segundo a religião católica, este dia é dedicado a São Leonardo, - padroeiro das parteiras.

Após 4 anos, no dia 10 de abril de 1964, já com alguma reserva financeira, as duas adquiriram a antiga casa comercial e passaram o atendimento para a casa onde residia DNA. Olinda, atualmente residência de Valentino Ely, para darem inicio a construção da nova maternidade, a qual foi inaugurada no dia 11 de fevereiro de 1967, sob a denominação de Maternidade Nossa Senhora da Gruta.
Durante o período de 1960 e 1975, nasceram 2975 crianças, cujos registros de diárias e despesas encontram-se conservados até os dias atuais, por Maria Aparecida Zimermann, a qual foi adotada pelas mesmas em 1964.


No dia 1 de novembro de 1975, a Sra. Bernardina Zimermann, foi acometida de grave hemorragia dos vasos sangüíneos inferiores, cuja enfermidade a tornou incapacitada para executar sua função.
Em seguida, dada às devidas baixas do Ministério da Saúde, a Maternidade foi encerrada, o que para a população foi uma perda. Isso, porém, não causou problemas, visto que já estava funcionando a maternidade do Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Conceição.
Em novembro de 1981, o hoje extinto Clube Recreativo 11 de Janeiro, prestou solene homenagem de “Honra ao Mérito” às Senhoras Bernardina e Olinda, na Igreja Matriz de Angelina, reunindo centenas de pessoas que através de suas mãos haviam nascido, e cada um trouxe uma rosa e a depositaram em suas mãos, como forma de homenagear e agradecer todo bem que elas fizeram.
No mesmo mês, na Câmara Municipal de Angelina, Bernardina Zimermann recebeu o Título de Cidadã Angelinense, durante a gestão do Prefeito José Germano Fuck.
As Senhoras Bernardina e Olinda, sempre dispuseram de uma incansável luta pela vida; principalmente de jovens vidas que vinham ao mundo. Nunca, sequer, houve algum óbito de uma mãe em suas mãos, e olha que não dispunham de recursos e tecnologias modernas. Mas o amor, o afeto e a dedicação eram soberanos no dia-a-dia.
Muitas vezes, ouvia-se delas a seguinte frase: “Wir sein hier fur zu helfen” (nós estamos aqui para ajudar).

A frase foi escrita em alemão, pois esta era a língua predominante na época. Após o fechamento da maternidade, todos os medicamentos, equipamentos e roupas de cama foram doados para o Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Conceição, o qual, por intermédio de irmã Maria Heerdt, atual diretora, e demais Irmãs, médicos e funcionários, não mediram esforços quando do atendimento a Sra. Bernardina Zimermann, em seus últimos dias de vida, que necessitou de cuidados especiais.
Este escrito não relata a integridade da vida destas duas pessoas, que tanto deram de si pelo bem estar das mães de Angelina, pois seria uma história longa demais.
Mas podem ter certeza de que foram realmente duas heroínas neste pequeno município que se chama Angelina. Tanto é que o total de bebês, nascidos por ela e por Olinda Schmitt em Angelina foram 4.384, 2 casos de trigêmeos e muito gêmeos.
 

1 – DISTRITOS E COMUNIDADES
1.1 – BARRA CLARA
                Conta-se que Barra Clara começou a ser povoada por volta do ano 1910/1912, aproximadamente. Diz-se que nessa época, caçadores que estavam perdidos andavam mato adentro, quando, de repente, avistaram uma baixada mais aberta e clara. Foi quando um deles exclamou: - Que Barra Clara! Daí o nome daquela vila que a partir de então começou a ser colonizada.
            Os primeiros moradores que ali se instalaram e dos quais se tem conhecimento foram: Julio Hang – que fez um rancho em Barra Clara, entre os rios São João e Quebra Dentes – e Jacó Juttel – que instalou a primeira casa de comércio. Depois de um certo tempo Jacó vendeu sua propriedade a Francisco Goedert, que passou a liderar o comércio local.

Os primeiros colonizadores enfrentaram muitas dificuldades. Para construir suas casas, serravam a madeira do mato e faziam tábuas.
Isso era feito a mão, com serras de dois pega mãos (uma pessoa pegava numa ponta e a outra na extremidade oposta).
Faziam tudo a braço. Quando não tinham telhas, cobriam suas casas com folhas de coqueiros ou bananeiras. O Assoalho era de chão batido.
Alguns, ainda faziam as casas com taquaras e rebocavam com barro, rachavam tabuinhas para cobri-las. Não havia luz elétrica, só lamparinas a querosene.
De inicio, os moradores tiveram muita dificuldade para ganhar dinheiro. Plantavam só para sua sobrevivência, pois não tinham como vender ou transportar os produtos que colhiam, devido ao difícil acesso. Trabalhavam, então, na base do troca-troca.
Os meios de trabalho também eram bastante precários: queimavam a roça, picavam a terra com a enxada, roçavam e faziam derrubadas. Plantavam milho, mandioca, feijão, arroz, café e cana-de-açúcar, da qual faziam o açúcar para o seu consumo. Da mandioca faziam a farinha e o polvilho, do milho também a farinha, com a qual também faziam o pão, a polenta, o cuscuz, etc...
Nessa época não havia estradas, apenas trilhas e picadas. As pessoas caminhavam a pé, ou a cavalo em longas distâncias para chegar à escola, à igreja ou ao comércio.
Às vezes, durante o inverno, ficava difícil se deslocar a cavalo, devido à lama que se formava nos lugares mais sombrios. Quando uma pessoa ficava doente, o jeito era apelar às benzeduras e, em alguns casos mais graves ia-se até Florianópolis.
O transporte era feito a cavalo em carroça, pelo menos até São Pedro e, dependendo do tempo, demorava até três dias e às vezes não se chegava a tempo.
As mulheres grávidas davam à luz em casa, com a ajuda das senhoras mais velhas e experientes. Outras, quando dava tempo, iam à sede, onde na época ainda não havia hospital, mas uma parteira (Dona Bernardina Zimermann) que prestava os serviços necessários.
A primeira estrada entre Garcia e Barra Clara foi feita com a força da mão humana, à vontade e a união do povo, com enxadas e picaretas. Da mesma forma, foram sendo sempre alargadas, até que se consegui passar com veículos automotores, facilitando a vida dos moradores e o transporte de suas mercadorias.
A partir daí, o comércio, se fortaleceu, bem como a venda dos produtos cultivados.
Por muito tempo, o único comerciante foi o Sr. Francisco Goedert. Mais tarde surgiram outros.
A antiga igreja também foi construída com a ajuda e a força do povo. Foi com muito sacrifício, pois ainda não tinha estradas e nem carros. Os materiais eram transportados em carroças puxadas por cavalos e burros. Essa igreja foi construída no ano de 1927, localizando-se onde hoje é a escola e o galpão ficava do outro lado da estrada, em frente à igreja. Em 1967 foi inaugurada a nova igreja, no ponto mais alto da praça.
A primeira escola a ser construída data aproximadamente do ano de 1932. Sendo o primeiro professor o Sr. José Fuck. Nesta época, os alunos iam para a escola a pé ou a cavalo e caminhavam até oito quilômetros. Não existia merenda nem cadernos. As anotações eram escritas numa pedra chamada lousa. Depois, surgiram os cadernos que as mães faziam em casa, com sacos de papel ou papelão cortados que eram costurados com maquinas de costura ou manualmente. As canetas eram penas e tinha um vidrinho de tinta onde deveriam ser molhados, quando secas. Com o passar do tempo e a evolução, chegaram os cadernos, canetas, lápis, gis, lápis de cor e borrachas. Até 1987, as crianças de Barra Clara e região só tinham a oportunidade de estudar até a 4ª série primaria, pois eram simples escolas isoladas. Depois, quem tinha condições, colocava os filhos para continuar os estudos na cidade e quem não tinha, não mais estudava.
Em 1988 conseguiu-se implantar o ensino da primeira à oitava série em Barra Clara, com a Escola Básica Norberto Teodoro de Melo. Hoje Barra Clara conta com um pouco mais de condições de sobrevivência, a saber:
- escola garantida até o segundo grau e transporte escolar, a partir de 1964; - posto de atendimento de saúde (médico e dentário), desde 1987; - centro de apoio administrativo, desde 1987; - posto telefônico e serviço de correios; - quadra esportiva; - clubes; - serviço de atendimento bancário uma vez por mês; - comercio mais variado; - acompanhamento de técnico agrícola.
Mais isso não impediu e não impede um grande problema: o êxodo rural. A maioria das famílias hoje, se não esta pensando em ir embora, já tem um, dois, três ou mais integrantes lá fora. E com isto, a comunidade também vai enfraquecendo.
“É preciso tomar alguma providencia, a começar por nós, tendo maior consciência critica das coisas que nos cercam. O problema pode não estar só nos administradores. Pode estar no povo. Pense nisso” dizem os moradores da comunidade de Barra Clara.
1.2 – BETÂNIA
  • História
 Betânia foi fundada em 1875, por imigrantes alemães vindos de outras comunidades (Santo Amaro da Imperatriz, Rancho Queimado, São Pedro de Alcântara, etc.). Instalaram-se em terras que o governo distribuía, a fim de colonizar o país.
Estabeleceram-se em Betânia inicialmente, as famílias de Jacob Goedert, Petter Alflen e Mathias Gorges. Tempos depois, vieram ainda Mathias Shappo, Guilherme Schuch e outros. Essas Famílias dedicavam-se exclusivamente à agricultura.
Em 1985 construíram uma pequena capela no local onde hoje se encontra a atual igreja, dedicada ao Padroeiro São Sebastião. Naquela época, a capela pertencia ao Curado de Teresópolis – Santo Amaro do Cubatão, hoje Santo Amaro da Imperatriz, de onde vinham os padres para atender os fiéis.
A igreja construída em 1895, foi reformada e ampliada em 1922. Em 1934, foi construída uma torre para abrigar o sino e dar uma aparência mais bonita, conforme sugestão do padre da época, Frei Germano José Fischer.
Essa igreja foi demolida em 1954, para dar lugar à construção da atual igreja, bem mais ampla e com duas torres. O lançamento da pedra fundamental dessa igreja aconteceu em 23 de janeiro de 1955 e sua inauguração em 26 de maio de 1956, sob a supervisão do então pároco Frei Flaviano e seu auxiliar Frei Gilberto. O primeiro cemitério dessa comunidade ficava ao lado esquerdo da antiga igreja, mas em 1954 foi transferido para um local próprio e mais amplo, para dar lugar à construção da nova capela.
Pelos relatos que se têm, havia na comunidade a escola paroquial, cujos professores eram nomeados pelos párocos e pagos pelas paróquias. Essas eram supervisionadas pelo Consulado Alemão. Durante esse período foram professores em Betânia: Schumann, Rodolf Otto, Roberto Goedert, Clotilde Goering, Georg Wernett e Franscisca Schappo. Quando o estado assumiu a coordenação das escolas, a primeira professora foi Maria Schappo, que havia cursado o complementar, curso que habilitava o cidadão a exercer a profissão de professor.
O apostolado da oração foi fundado em 18 de setembro de 1918, por Frei Gervásio Kremer.
As primeiras lições aconteceram na comunidade de 1911, ministradas por Frei Bruno Linden e Frei Boaventura Klemer.
O altar que embelezava a atual igreja e Betânia, uma verdadeira obra de arte, todo em madeira trabalhada, foi construído por volta dos anos de 1938 e 1939, pelo então artesão filho da terra, Paulo Schuch.
A capela possui um antigo harmônio, inaugurado a 23 de agosto de 1943, sendo Joana Schappo a primeira organista.
  • Origem do nome
 A comunidade possuía inicialmente o nome de Rio Perdidas, mais por iniciativa do então arcebispo Dom Joaquim Domingues de Oliveira, que numa visita pastoral sugeriu a mudança do nome para Betânia, por ter sido muito bem recebido pela comunidade que já possuía fama de muito bem acolher o sacerdote que por ela passava.
Mais tarde, em outra visita pastoral, feita por Dom Felício Vasconcelos, nova sugestão que então sensibilizou membros da comunidade e vereadores do município de São José que entraram com o projeto na Câmara Municipal, solicitando a mudança do nome, que foi tempos depois aprovado por unanimidade, alterando o nome de Rio Perdidas, para Betânia.
Em 1975, Betânia festejou seu centenário de fundação com uma grande festa, tendo ainda em seu meio ilustres descendentes como os filhos de alguns fundadores da comunidade.
Atualmente a comunidade de Betânia é composta por 112 famílias católicas e 30 famílias evangélicas de confissão luterana que se dedicava basicamente à agricultura e as mais variadas profissões na cidade da grande Florianópolis.
Betânia é considerada uma comunidade essencialmente católica muito dedicada à religiosidade, tanto que já deu vários de seus filhos ao serviço da igreja, como varias religiosas, dois padres e um frade franciscano.
Na vida publica, teve muitos filhos ativos nos mais variados trabalhos.
Na política, possuiu um prefeito eleito por duas vezes, e no legislativo, que até hoje nunca ficou sem representante em nenhuma legislatura na historia do município de Angelina, sendo ainda que a partir de 1988, já por três legislaturas consecutivas, possui dois representantes.
As festas tradicionais de Betânia são atualmente a do Padroeiro São Sebastião, em janeiro de cada ano, e a Festa do Colono, também anualmente no mês de julho.
Promove também a Festa de Nossa Senhora Aparecida, anualmente em 12 de outubro, numa gruta da comunidade, onde se venera a Mãe de Deus, sob o titulo de Aparecida.
  • Aspectos Econômicos
            A primeira casa comercial em Betânia era de Nicolau Schappo e filhos.
Vendiam a comunidade gêneros alimentícios, bebidas e tecidos. Compravam também os produtos dos agricultores que os filhos Clemente e Arnoldo transportavam à Florianópolis de carroça puxada a cavalos e traziam de lá os produtos à venda. Em 1948, Clemente Schappo adquiriu o primeiro veiculo motorizado na comunidade, uma camioneta Ford F-1. Depois, foi evoluindo e comprou um caminhão Ford-F-5, que por muitos anos serviu a comunidade para muitos fins
Nicolau Schappo também possuía um salão para bailes e festas muito concorrido na comunidade e pelos visitantes da redondeza. Até havia um pequeno hotel anexo a sua residência. Nicolau Schappo também foi doador das terras à igreja e suas dependências ao cemitério e ao Estado para a construção da escola.
Na política, Betânia sempre se destacou. No município de São José teve representante na pessoa de Clemente Schappo, vereador em duas legislaturas pela UDN.
Depois de Angelina se ter emancipado, teve duas vezes o Senhor Mauro Jonck como prefeito e Mario Luiz Perardt como vice-prefeito. Como vereadores: Pedro Otto, Mauro Jonck, Lino Jonck, Paulo Hammes, Ludolf Hoffmann, Ervino Alves, Tito Hoffmann, Mario Luiz Perardt, Leonardo Hammes, e também Clemente Schappo como suplente de vereador na primeira legislatura.
  • Educação
 O professor Schumann foi o primeiro docente de Perdidas. Não se tem documentos concretos, mas depoimentos de Hubert Schuch e João Schuch, afirmam que este era natural da Alemanha. Foi enviado para cá pelo consulado alemão para fins educacionais instalando-se na atual residência de Lucas Perardt, sendo pagos pelos pais tanto o professor como o aluguel do prédio escolar. Isto aconteceu aproximadamente em 1890.
O professor adoeceu e retornou para a Alemanha. Quando Perdidas ficou sem professor mais ou menos um ano.
Em setembro de 1893 chegou Rudohp Otto, também vindo da Alemanha, da província do Rheno. Naquela época, Guilherme Schuch, fabriqueiro da Igreja, controlava o pagamento dos pais para o professor.
Outras comunidades contrataram o professor Bano Branco, de Rancho de Tábuas. Um de seus alunos, muito conhecido, foi o padre Raul Bunn. Este professor faleceu em Perdidas dia 23/06/1934. Rudolph Otto foi um professor muito competente.
Após este veio Roberto Gordert natural de Perdidas e como não era habilitado, foi rejeitado, além de ser cidadão do próprio lugar.
            Mas, ficou na vagas de Rudolph Otto quando este saiu para ministrar aulas naquelas localidades.  Não se tem registro de quanto tempo Roberto Goedert lecionou.
            Sua sucessora foi Clotilde Goering. Sabe-se que esta lecionou por pouco tempo, desconhecendo-se sua habilitação. Conforme depoimento de João Schuch, era uma professora.
            Depois de Clotilde, veio da Alemanha George Wernett. Este era habilitado, mas não se tem registro de sua permanência. Houve uma grande divergência entre o povo a respeito desse professor; ele ficou doente e foi transferido para o hospital em Desterro, atual Florianópolis. Então, o padre-vigário Frei Gervásio nomeou Francisca Schappo.
            Consta da ata de 1923, que esta lecionou com muito amor e dedicação. Segundo depoimento de João Schuch, Francisca Schappo não era professora muito entendida, mas os alunos a ajudavam.
            Em 1928 começou a lecionar a professora Maria Schappo, sendo que a escola ainda era mantida pelos pais e pelo consulado alemão. Maria Schappo foi estudar em Biguaçu, hospedando-se na casa de parentes do Padre Lucas e em 1935 terminou o curso complementar.
Conforme entrevista de Jubert Schuch, durante este período muitas vezes não havia aula por falta de professor, pois isto dependia dos pais. Também muitas vezes as crianças não iam à escola, pois os pais não concordavam com o professor. Não havia muita desigualdade social, por isso toda a comunidade tinha acesso à escola.
Quando uma família não tinha condições de pagar as aulas, as outras famílias ajudavam. Também houve a ajuda de padres, principalmente do padre Frei Gervásio. Consta que fazia festa de natal e arremate para arrecadar fundos para pagar os professores.
  • Ensino Público

Em 1960 o Estado assumiu a educação, sendo a primeira professora paga pelo governo a Sra. Maria Schappo, professora muito competente, porém castigava severamente seus alunos, conforme consta em entrevista e foto das irmãs Cecília e Matilde Schuch de 22/05/2000.
Em 1936, a escola contava com apenas os 1º, 2º e 3º anos, conforme documento da sabatina.
No ano de 1951, já existia o 4º ano, não temos nenhum documento oficial que comprove o início do 4º ano.
Em 1943 Maria Schappo conta com a professora auxiliar Joana Schappo. Esta lecionava para o 1º ano e Maria com 2º e 3º ano. As escolas eram rigidamente controladas por inspetores, sendo que no final de cada ano, os inspetores realizavam os exames e neste quase sempre metade dos alunos era reprovada.
De 1956 a 1957, a Escola Glória oferecia aula noturna ou supletivo onde a professora Maria Schappo contava com 15 alunos. Essas aulas eram ministradas no salão da Igreja, pois na escola não tinha energia elétrica.
Em 1957, a escola Glória passou a ser escola mista estadual de perdidas onde a professora efetiva era Carmem Schappo, auxiliar Olinda Schappo.
No ano de 1961, o governo autorizou a aquisição do terreno para a construção da nova escola em Perdidas. Este foi doado por Nicolau Schappo, pois até então o prédio existente era alugado.
Em 1961, a escola deixou de ser mista e passou a ser reunida, não havendo documentos que comprovem com exatidão o ano em que ocorreu esta mudança, sabendo-se que em 1970 a escola funcionava com 1º até 5º ano.
Na década de 1980 deixou de ser reunida e passou a ser isolada. Durante anos a escola era multisériada e em 1997 passou a ser nucleada e criou-se a educação infantil, passando a ser novamente seriada.
Na escola municipal Roberto Guilherme Otto funcionava a 2º série, na escola Isolada de Betânia a 1º e 3 º série, e na Encruzilhada Santa Maria a 4º série.
No ano seguinte a escola da quarta linha foi desativada, e os alunos removidos para as escolas acima citadas. Finalmente em meados de 1999, concluiu-se a construção do novo prédio escolar.
Os alunos foram transferidos para o Núcleo Municipal Maria Schappo, conforme fatos relatados na biografia da professora Maria Schappo. Foram, assim, desativadas as escolas municipais Roberto Guilherme Otto e Encruzilhada Santa Maria.
Finalmente o sonho do povo Betâniense tornou-se realidade, e cada série passou a ter seu próprio professor, em caráter efetivo.
1.3 - GARCIA
Aspectos Históricos
Segundo depoimentos de pessoas que sempre moraram na comunidade, o processo de colonização teve início no ano de 1859.
Um grupo de colonos português que tinha vindo de São José para Angelina (fundada há pouco tempo) saíram para caçar e vieram fazendo um caminho no mato, seguindo o curso do rio.
Até então as terras eram habitadas somente pelos índios, entre os colonos estava Manoel Aurélio Garcia que achou as terras boas para cultivar e em poucos dias veio morar na comunidade com a família.
Gradativamente vieram outros colonos e em 1876 a população era de 600 pessoas (fonte: histórico da década de 80).
  • Atividades Econômicas
Durante muitos anos após a fundação a sobrevivência na comunidade era única e exclusivamente agrícola. Os produtos mais cultivados eram: mandioca, cana-de-açúcar, milho e feijão. Os agricultores sofriam, muitos abandonados à própria sorte, pois viviam isolados por falta de estradas e de todos os recursos. Após alguns anos foram construídos vários engenhos. Nestes, os agricultores transformavam a matéria prima em produtos como: farinha, polvilho, açúcar, melado e fubá. Os produtos que sobravam da subsistência familiar eram vendidos a pequenos comerciantes que pagavam muito pouco. Estes eram levados até Angelina em lombos de animais e de lá para Florianópolis em carroças e carroções para serem comercializados no Mercado Público. Como ainda não havia ponte sobre o mar, a travessia era feita em balsas e canoas. Essa viagem levava vários dias para ser realizada, pois era preciso parar no caminho para dormir e descansar os animais.
Por volta do ano 1900, vieram morar na comunidade alguns imigrantes alemães, e, juntamente com as pessoas que já moravam, começaram a se organizar em prol do seu desenvolvimento. Em 1915, João Schappo veio morar na comunidade e abriu um pequeno comercio. Ao levar os produtos que comprava dos agricultores para vender na capital, voltava trazendo uma grande variedade de produtos para serem comercializados. Com o passar do tempo este comércio cresceu e o povo podia encontrar tudo o que precisava.
Na década de 50 foi iniciada a construção de uma Usina Hidrelétrica nas proximidades. Com isso, muitos agricultores foram trabalhar no serviço braçal na construção da barragem, deixando a esposa e a família trabalhando na lavoura. Os agricultores foram desanimando com a falta de incentivo para agricultura e com isso teve inicio o êxodo rural. Muitas famílias, desanimadas com o baixo preço dos produtos agrícolas, foram embora para as cidades, em busca de uma vida melhor, e ainda hoje, muitos pais de família trabalham em Florianópolis ou Brusque, voltando para casa somente nos finais de semana.
  • Comércio e Serviços
 Em relação ao comércio local, atualmente existe uma grande casa comercial onde se pode adquirir praticamente tudo o que for necessário e outros bares e pequenos comércios. Existem também outras profissões como: motoristas, funcionários públicos, professores e auxiliares de serviços gerais.
Nos últimos anos consolidou-se uma outra atividade econômica, a criação de aves em parceria com uma firma de Florianópolis, sendo que com isso foram construídos vários aviários na comunidade.
Criação e Desenvolvimento
Desde sua fundação Garcia pertencia ao município de São José passando a ser distrito no dia 18 de fevereiro de 1923. A ata de criação do distrito foi lavrada na casa de João Schappo, primeiro Juiz de Paz. A partir daí, Garcia passou a ter vereadores que representavam à comunidade em São José: Sergio Carlindo de Assunção e João Schappo. Neste mesmo ano foi criado o cartório de registro civil, sendo o 1º oficial de registro Sérgio Carlindo de Assunção. Esse cartório foi de suma importância para os moradores da comunidade que até então tinham que se deslocar para São José para fazer qualquer serviço de cartório indo a pé ou a cavalo.
Algum tempo depois foram criadas também uma agência de correios e uma delegacia de polícia, sendo o
primeiro funcionário do correio Agenor da Silva e delegado Jerônimo Francisco Alexandre.
    A partir de 1961, Angelina, que também era distrito de São José, passou a ser município, e com isso Garcia passou a pertencer a Angelina. Com a proximidade da sede do município, alguns órgãos públicos que funcionavam na comunidade foram levados para Angelina, como o Cartório, a delegacia e o correio.
           
Com a inauguração da usina em 1961 e a instalação da energia elétrica na comunidade, alguns anos depois, poucos moradores conseguiram comprar alguns eletrodomésticos.
Em 1970, foram compradas duas televisões. Estava acontecendo à copa do mundo e as pessoas se reuniram nessas casas para assistir aos jogos do Brasil, vendo-o conquistar o tri-campeonato mundial de futebol.
Percebe-se que em relação á aquisição de eletrodomésticos e meios de comunicação nas três ultimas décadas houve um grande crescimento, sendo que atualmente na comunidade todas as residências possuem energia elétrica  e a grande maioria possui aparelho de TV com antena parabólica.
  • Desenvolvimento do Processo Educacional
A educação na comunidade, assim como outras atividades, teve um processo lento e gradativo. Segundo profissionais aposentados na área, em 1876 foi fundada  na Vila Colonial (Garcia, como se chamava a comunidade) uma escola particular, na qual só podia estudar quem tinha dinheiro para pagar o professor. Além disso, os pais só mandavam estudar os filhos homens. Somente em 1917, ou seja, 58 anos após a fundação, foi criada a primeira escola pública, sendo o primeiro professor Sérgio Carlindo de Assunção.  Esta funcionava na sala de uma casa de família, em condições precárias sendo que nem banheiro tinha.

Na década de 30, quando acontecia no Brasil o movimento da Escola Nova, o ensino fundamental passou a ser obrigatório. Em 1935 foi implantada na Vila Colonial Garcia uma Escola Isolada Estadual, tendo como sua primeira Professora Edina Brasinha, de Florianópolis. Esta escola passou por várias denominações e chama-se atualmente Escola de Ensino Fundamental João Frederico Heck.
Até 1989, atendia de 1ª a 4ª serie, a partir daí a escola isolada de Garcia em comum acordo com a reivindicação da comunidade local foi transformada em Escola Básica, cuja implantação foi gradativa. 
Iniciou com a 5ª série vespertino e noturno, em uma casa alugada próxima à escola, que era composta de duas salas. A classe noturna atendia jovens que não tiveram chance de estudar antes e trabalhavam durante o dia.
         No ano seguinte o novo prédio estava pronto para atender cinco turmas de 1ª a 5ª séries, sendo a série atendida no galpão da Igreja Católica (próximo à escola).
         Posteriormente a escola passou a funcionar em dois períodos, com uma infra-estrutura para atender todas as turmas de 1ª a 8ª séries, atendendo atualmente 140 alunos.
Na década de 40, foi implantada outra escola na localidade de Coqueiros, distrito de Garcia.
            O professor Sebastião Kamers (in memoriam) preocupado com a distância que as crianças percorriam a pé para chegar à escola, mobilizou a comunidade e reivindicou junto aos órgãos competentes, conseguindo com que esta começasse a funcionar.
       Primeiro, em salas de casas de família e mais tarde, na década de 50, foi construída uma escola de madeira que apresentou problemas na estrutura desde a sua construção. Finalmente, em 1967 foi construído um prédio de alvenaria.
       O terreno foi doado por Silvestre Kamers, sendo este um grande batalhador para a construção da mesma.
       A partir daí esta passou a se chamar Escola Reunidade Deputado Ivo Reis Montenegro, cujo nome foi dado em homenagem ao mesmo deputado que colaborou para a construção da escola. Hoje esta pertence à rede municipal de ensino. No ano de 1967 essa escola atendia 109 alunos de 1ª a 4ª série, mas hoje essa matricula está reduzida a 10 alunos. Junto a esta funciona desde 1988 o centro Municipal de Educação Infantil Cantinho Feliz, atendendo atualmente 16 crianças de 3 a 6 anos de toda a comunidade.
        
  • Religião e Festas da Comunidade
A religião predominante na comunidade foi e continua sendo a católica. Em relação à igreja não foram encontrados documentos anteriores, somente a partir do ano de 1907 em um livro de ata de reuniões da capela Nossa Senhora das Dores.
Segundo depoimentos, a primeira igreja era pequena, feita de tijolos e barro e estava localizada perto do caminho onde é a estrada em frente à igreja. Com o passar dos anos a população foi aumentando, e com isso foi necessário construir outra igreja sendo demolida no ano de 1972, para dar lugar à igreja atual, que foi inaugurada em 1973. Esta igreja foi construída com a ajuda da comunidade, que fazia suas doações em serviços. Muito dinheiro para a construção dessa igreja foi trazido da Alemanha pelo então vigário da paróquia de Angelina, Frei Honorato Brügemann (in memoriam). Recentemente, foi construída uma igreja pertencente à religião evangélica Assembléia de Deus, com poucos adeptos até o presente momento. Todos os anos, no dia 15 de setembro, é comemorado o dia da padroeira, (Nossa Senhora das Dores) com uma grandiosa festa, onde se reúnem praticamente todas as pessoas da comunidade, das comunidades vizinhas  e muitas pessoas que foram morar em outros lugares vem homenagear sua comunidade de origem.
Além dessa festa, todos os anos no mês de maio acontece a festa da Bergamota que é organizada pela associação de moradores de Garcia e Coqueiros e as festas juninas promovidas pelas duas escolas onde são apresentadas várias atrações típicas, como, por exemplo, a dança do boi-de-mamão.
  • Vias de acesso, Meios de transporte e Comunicação 
Segundo depoimentos de pessoas que sempre moraram na comunidade, somente a partir do ano 1923, deu-se início ao alargamento do caminho que existia e no qual até então só se andava a pé ou a cavalo. Após este ter sido alargado, foi possível o tráfego de carroças e carros de boi. A comunidade vivia completamente isolada, mas a partir daí, gradativamente, as vias de acesso foram sendo melhoradas. Porém, somente década de 50 estas foram alargadas com máquinas e um ou dois moradores adquiriram caminhões. Teve início também à saída diária de um ônibus com destino a Florianópolis, saindo de manhã fazendo o trajeto por São Pedro de Alcântara, e retomando á noite.
Na década de 60 os meios de transporte mais utilizados eram: bicicletas e carroças e a partir da década de 70 as pessoas com melhor poder aquisitivo comprara carros.

Atualmente a estrada geral se encontra em bom estado de conservação e bastante movimentada. Diariamente saem dois ônibus com destino a Florianópolis, um às 5 horas, via São Pedro de Alcântara e retornando às 14 horas e outro saindo às 6:40 via BR 282 com retorno às 16 horas. Além disso, passa na comunidade diariamente às 6 horas um ônibus com destino a Brusque e Blumenau retornando às 19 horas.
Em relação aos meios de comunicação, na década de 80 foram instaladas 10 linhas telefônicas e um ponto de atendimento. Em 2001 mais 20 linhas foram instaladas. Praticamente, todas as famílias possuem aparelhos de televisão e rádio, sendo que anexo ao posto telefônico funciona o correio.
1.4 - RIO NOVO
O Núcleo Escolar Municipal Professora Ermelinda Goedert Pereira está localizado na Estrada Geral da comunidade de Rio Novo, distrito de Barra Clara, no município de Angelina, estado de Santa Catarina.
A escola, situada acima do bairro, é rodeada por algumas residências, dois galpões de compra, classificação e venda de cebolas, um galpão publico municipal destinado a agricultura, muitas pastagens com animais, um riacho e próximo a ela, uma quadra de esportes, que é utilizada pelas crianças para lazer na hora do recreio e para educação física.
Tem também uma igreja católica, e um posto de saúde no qual conta com atendimento uma vez por semana de uma médica, uma especialista em enfermagem e uma dentista.
E uma instituição municipal. Seu prédio (a parte física) foi inaugurado no dia 30/12/2004.
A instituição tem esse nome, em homenagem a ex-proprietária do terreno, onde foi construída a instituição que nucleou todas as escolas da região numa única, ou seja, vieram para essa instituição alunos das comunidades de Rio Novo, Rio Novo Velho, Três Antas, Rio da Paca, Rio do Meio, Rio de Dentro, Rio Verde e parte dos alunos moradores do rio São João.
A escola tem um prédio de alvenaria recém inaugurado, que comporta 606,35 m² de construção, o qual é composto por cinco salas de aula, uma sala destinada à informática, vídeo e biblioteca, um depósito e espaço denominado recreio coberto e tem também uma pequena sala destinada aos professores, que por ter o espaço um pouco restrito, atualmente é ocupada para a secretaria e direção.
Existe na frente da escola um pátio para brincadeiras e também estacionamento.
Este pátio é coberto por pedra brita. Ao lado da escola tem um pátio de areia para as crianças brincarem em suas horas livres.
Um breve histórico da Instituição e da Educação e Esporte na Região que ela abrange
A história da Educação na comunidade começou com aulas ministradas por professores particulares, um deles Jose Fuck, pai de Jose Germano Fuck.
Os professores eram pagos pelos pais, na maiorias das vezes, não com moedas, mas com as mercadorias produzidas pelo próprios. As aulas eram ministradas na casa do próprio professor. Não se tem dados precisos que comprovem o índice e a duração desse ensino.
Segundo dados encontrados nos arquivos da Escola Isolada Municipal de Rio Novo, e coletados em pesquisa de campo, a educação escolar pública teve inicio por volta de 1934, sendo que o único registro encontrado desse ano é um termo de visita.
Tem-se registrado que em 1938, havia já instalada a então chamada “Escola Pública Mista Municipal de Rio Novo”, com matricula inicial de 18 alunos do primeiro ao terceiro ano, assim chamado na época.
Os dados aqui citados encontram-se na ata de exames datada de 13/12/1938, assinada pela então professora Reinilda Margarida Fuck.
Verificou-se através de fontes consultadas que a educação era rígida, o professor era a autoridade máxima, sendo respeitado intra e extraclasse. Este regia uma classe com um elevado número de alunos, não dispondo de materiais didático-pedagógicos, a não ser quadro, lousa, giz e alguns livros para auxiliá-lo no seu trabalho.
Para escrever, os alunos dispunham inicialmente de uma lousa na qual escreviam com giz de pedra. Depois de decorada a lição apagavam para reutilizá-la.
Posteriormente surgiram cadernos feitos de papel rudimentar, lápis, borracha, canta de pena e o “mata-borrão”.
Os móveis existentes na sala de aula eram adaptados de acordo com a época. As carteiras comportavam de 2 a 6 alunos e traziam um porta-tinteiro.
Os alunos traziam lanche de casa, pois não havia a distribuição de merenda. Muitos alunos moravam distantes da escola, tendo que caminhar vários quilômetros até chegar a ela.
Para manter a disciplina de classe, muitas vezes utilizavam-se castigos físicos que eram regras básicas da época.
O objetivo do ensino restringia-se a ensinar a ler, escrever e calcular, não dando muita prioridade ao ensino de Historia, Geografia e Ciências.
Cultivavam a formação cristã e patriota. Porém, não se respeitava à cultura de cada um, visto que, esta comunidade era na sua maioria de origem alemã, adeptos da religião Evangélica Luterana.
Na escola eram proibidos de falar a língua materna e obrigados a assistirem aulas de religião voltadas para o catolicismo.
Também não se permitia que os alunos escrevessem com a mão esquerda, todos eram obrigados a aprender a escrever com a mão direita.
A avaliação acontecia através de provas orais, escritas e exames que ocorriam sempre ao final de cada ano letivo.
Um professor ou professora de outra escola, designado pelo inspetor ia à escola do colega, aplicava os exames e depois corrigia juntamente com o colega regente da turma.
O aluno que mais se destacava, obtendo as melhores notas e conceitos, era “premiado”.
Observa-se em registros encontrados que a escola tinha elevado número de alunos e que o maior índice de reprovação acontecia no primeiro ano, e muitos alunos evadiam-se no decorrer do ano letivo para ajudar os pais nos trabalhos agrícolas, devido à baixa renda familiar.
Os professores da época eram intitulados de acordo com sua formação profissional: “Normalistas”.
De acordo com a opinião dos professores e alguns alunos entrevistados, naquele tempo as crianças aprendiam muito mais e em menos tempo, principalmente a ler, a escrever e calcular, e eram mais “educadas”.
Percebe-se que a educação anteriormente mencionada perdurou por muitos anos, deixando resquícios perceptíveis hoje no cotidiano escolar.
No ano de 1998, a Escola de Rio Novo deixou de ser Estadual e passou a pertencer ao município, devido à municipalização da educação. Naquele ano, a escola contava com trinta e duas crianças matriculadas, considerando um número elevado para uma Escola Isolada.
A Secretaria Municipal de Educação, órgão responsável pela instituição, decidiu implantar o transporte escolar e fazer um remanejamento de crianças entre essa escola e uma escola vizinha, localizada no bairro de Rio Novo Velho, que também tinha um número elevado de crianças.
Na escola Isolada Municipal de Rio Novo, passaram a ser atendidas apenas crianças da primeira série no período matutino e no período vespertino passou a funcionar a educação infantil, que ate então não existia na localidade.
A escola de Rio Novo Velho passou a funcionar em período integral. Atendendo em um turno crianças de 2ª a 3ª séries, e no outro, alunos de 4ª série.
As duas escolas de Rio Novo e Rio Novo Velho, comportavam uma média de 90 alunos, desde educação infantil, até a 4ª série do ensino fundamental, atendendo comunidades de Rio de Dentro, Rio da Paca, Rio do Meio, Rio Novo, Rio Novo Velho, Três Antas, Rio Verde e parte do Rio São João.
Para atender estes alunos, as comunidades contam com transporte escolar. Depois de concluída a 4ª série do ensino fundamental, os que têm interesse dão continuidade aos estudos na Escola de Ensino Fundamental Norberto Teodoro de Melo, em Barra Clara, distante em média 10 Km.
No dia 28 de fevereiro de 2005, foram iniciadas as aulas no Núcleo Escolar Municipal Professora Ermelinda Goedert Pereira.

1- A EVOLUÇÃO DO CONTEXTO RELIGIOSO
    • CRONOLOGIA HISTÓRICO-RELIGIOSA
 1860 – Fundação da “Colônia Nacional de Angelina”.
1863 – Primeira capela, primeira missa (Pe. Roberto Bucher, de São Pedro de Alcântara).
1890 – Restauração da primeira capela.
1899 – Bênção da segunda capela (que se tornaria matriz 22 anos depois).
1902 – Bênção episcopal da imagem de Nossa Senhora de Lourdes, inaugurando a devoção oficial à Santa em Angelina, por Dom José de Camargo Barros, bispo do Paraná e Santa Catarina.
1907 – Entronização da imagem na gruta.
1911 – Inauguração da Via Sacra.
1918 – Reforma do telhado da capela.
1921 – Criação da Paróquia de Angelina.
1924 – Construção do muro ao redor da matriz e benção do Cruzeiro em frente à mesma (este hoje se encontra no cemitério da Gruta).
1925 – Aumento da capela-mor.
1939 – Construção do novo nicho da Imagem na Gruta.
1946 – Demolição da igreja histórica de São Carlos Borromeu e matriz. Colocação e benção da pedra angular da nova matriz. Nossa Senhora da Imaculada Conceição passa a ser o orago principal da paróquia. São Carlos Borromeu, padroeiro secundário.
1948 – Inauguração da nova igreja matriz.
1949 – Inicio da construção da nova canônica e casa dos padres.
1956 – Inicio da construção do salão paroquial.
1974 – inauguração da nova ponte à entrada do Caminho Sacro.
1988 – Criação e instalação do “Santuário de Nossa Senhora de Angelina” (Dom Afonso Niehues, arcebispo metropolitano de Florianópolis).
2004 – Angelina é reconhecida como Capital Catarinense das Graças – Lei Nº: 13.211, de 20/12/2004.

    • PÁROCOS DE ANGELINA – 1921 A 2005
Frei GERVASIO KRAEMER, OFM (1921/1929)
Frei LUCAS WEHLING, OFM (1929/1938)
Frei TACIANO STENZEL, OFM (1938/1941)
Frei CORBINIANO KOESLER, OFM (1941/1942)
Frei ADRIANO KAEMER, OFM (1942/1945)
Frei JOÃO VIANEY ERDRICH, OFM (1945/1951)
Frei ROBERTO EBBERT, OFM (1951/1952)
Frei FLAVIANO MOORMANN, OFM (1952/1959)
Frei EDMUNDO PIECHOCZEK, OFM (1959/1962)
Frei CANISIO EBERHARDT, OFM (1962/1962)
Frei LUCIANO WAGNER, OFM (1962/1962)
Frei OSMAR DIRKS, OFM, SUBSTITUTO (1962/1962)
Frei COLUMBANO GILBERT, OFM (1962/1968)
Frei HONORATO BRÜGEMANN, OFM (1968/1980)
Frei GONÇALO ORTH, OFM (1980/1983)
Frei CECILIANO MEURER, ORF (1983/1989)
Frei BERNARDO OLESKOWICS, OFM (1990/1991)
Frei NILTON STECKERT, OFM (1991/1997)
Frei JOSE LINO LÜCKMANN, OFM (2004)

Frei Gervásio Kraemer
    • A SITUAÇÃO RELIGIOSA DURANTE A EXISTENCIA DA COLONIA NACIONAL DE ANGELINA (1861 – 1881)
As necessidades religiosas eram, inicialmente, resolvidas num barracão destinado a acolher os colonos que vinham se estabelecer na colônia. Este barracão servia de capela provisória.
Para atender ás necessidades religiosas, vinha de São Pedro de Alcântara, o Padre Roberto Bucker, o qual comparecia, em média, duas vezes por mês, permanecendo dois ou três dias no local. O seu trabalho foi melhor organizado e valorizado através da criação do cargo de “Capelão” – Cura d’Almas, em 4.5.1866. Nestes tempos havia muitas dificuldades quanto à falta de parâmetros, local de estadia e viagem de São Pedro até a Colônia.

A partir de 1867 iniciou-se a discussão e a aprovação na Assembléia Provincial, de um projeto para construção de uma capela. Este projeto foi aprovado em 30.4.1868, orçando o custo da construção em 4,838$000 réis (oitocentos e trinta e oito mil réis).
A construção da primeira capela iniciou em julho de 1868 e se estendeu até 1881. De acordo com o projeto, a planta da capela teria um tamanho de 85 palmos de comprimento por 45 de largura, cujas paredes tinham 3 palmos de largura.
Os fundamentos, bem como as paredes, foram construídos usando-se pedras, tijolos e cal misturada com barro para reboco.
Os tijolos ladrilhos, cal e madeiramento, material necessário para a construção, foram trazidos de São José. O processo de construção demorou devido a constante falta de material, de mão de obra especializada e demora na liberação de verbas. Em 1881, ficou pronta, coberta de telhas, com uma torre, com assoalho de madeira, paredes de 32 palmos de altura, várias janelas, toda rebocada externamente e pintada, o custo total ultrapassou o estabelecido no projeto inicial, chegando então, a 5.566$708réis. Ao inaugurá-la foi-lhe dado o nome de Capela de São Borromeu.
    • A CRIAÇÃO DA PARÓQUIA
            O atendimento espiritual foi assumido pelos padres de São Pedro de Alcântara. Na colônia não havia o cargo de “Capelão – Cura d’Almas”.Isto continuou, depois de pronta a capela, até 1891, quando na Colônia Teresópolis (vizinha da colônia Santa Isabel), passaram a fixar-se padres Franciscanos, que decidiram assumir o atendimento espiritual em Angelina, a pedido do bispo do Paraná, D. José Camargo Barros.
            Estes padres eram, muitas vezes, auxiliados nesta tarefa pelos padres de São José e de Santo Amaro da Imperatriz.
      Foram padres em 08-04-1921, criaram a Paróquia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Angelina, desmembrando-a da Paróquia de Santo Amaro. Já no dia 17 do mesmo mês, assumia o primeiro vigário, frei Gervásio Kraemer, que passou a morar numa casa adquirida pelos Franciscanos nas proximidades da capela (agora, transformada em Paróquia).
A partir de então, muitos foram os Freis que aqui se estabeleceram, ficando cada um mais ou menos em média de 5 a 10 anos morando em Angelina. De 1921 a 1998, já trabalharam aqui 66 párocos.
A Paróquia tinha jurisdição sobre quatro comunidades e mais tarde também se estendeu para Rancho Queimado.
            Passados 23 anos da fundação da Paróquia, denominada de “Imaculada Conceição de Angelina”, os frades Franciscanos e a população local decidiram construir uma nova Igreja.
            Assim, em julho de 1944, foi benzida a pedra fundamental e em 1946, iniciou-se a demolição da antiga Igreja, onde seria erguida a nova, que foi inaugurada em maio de 1948. O vigário Frei João Vianey Erdrich, foi pároco e acompanhou todo o processo de construção, bem como a construção da nova casa canônica, iniciada em maio de 1949, ficando pronta em junho de 1950. Tanto a Igreja, como a casa canônica continuam sendo usadas atualmente. Na época a locomoção dos Padres de uma Capela para outra era feita a pé, de charrete, carro de mola, cavalo e anos mais tarde de jipe ou picape.
Atualmente realizam as visitas às comunidades de carro fusca e gol. Até 1940, a igreja era pequena. Anos mais tarde foi reformada, tendo como Padroeiro São Borromeu. Hoje esta imagem está na lateral da Igreja Matriz.
         Quando foi fundada a Paróquia em 1921, colocaram uma cruz num oratório em frente à Matriz. Hoje esta cruz, com imagem de madeira, está junto À capela do Santíssimo na atual Matriz.
                         
  • Casa Provincial, 1942
 Desde o ano de 1988, foi elevada a categoria de Santuário Arquidiocesano, matriz e gruta. Sendo o primeiro reitor do Santuário Frei Ceciliano Meurer.
            Já se realizaram nesta Paróquia desde o ano de 1950 até 15.09.98, 10.561 batizados e 2.796 casamentos.
            Fazem parte da Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição desde 1921, 18 capelas mais o Convento das Irmãs e Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Conceição.  A festa mais importante que é realizada e celebrada pelo povo católico pertencentes à Paróquia é Nossa Senhora da Imaculada Conceição, festejada em 8 de dezembro. Esta grande festa acontece todos os anos, mesmo antes da igreja tornar-se Paróquia.
           
Em 15 de agosto também é comemorada a Assunção de Nossa Senhora.
A participação do povo que são devotos da gruta de Nossa Senhora de Lourdes, desde sua construção iniciada em 1899 por Frei Zeno Wallbroehl sempre foi com muito zelo, fidelidade, ofertas e grande fé e devoção.

    • A GRUTA DE NOSSA SENHORA DE LOUDES
A origem e o estabelecimento da Gruta de Angelina, estão ligados diretamente ao Frei Zeno Wallbroehl. Sendo acometido por uma grande enfermidade, fora desenganado pelos médicos do rio de Janeiro onde trabalhava em 1897. Então, veio a tomar “água de Lourdes”, com a qual passou a melhorar progressivamente. Tendo em vista sua melhora, inesperada e por ser devoto de Maria, decidiu pagar, em forma de agradecimento. Diante disto escolheu este local para a construção de uma gruta. Deslocou-se do Rio de Janeiro para Angelina ainda em 1897. Aí começou todo um trabalho de escolha e construção do local. Ele mesmo pediu para que fosse trazida da Europa uma imagem de Nossa Senhora, com 1,95 metros de altura.
         
Frei Zeno Wallbroehl

Em agosto de 1902, o bispo, D. José Camargo Barros, benzeu a imagem e o local foi considerado como Santuário de Devoção Mariana.
Com isto a população local e mais os devotos que vinham de fora, auxiliados pelos vigários Frei Josaphat Immenkoetter e Frei Burchardo Sasse, abriram e trataram de melhorar o “caminho das 14 voltas” que levaria até o local da gruta. Em 1907, foi levada até o local preparado, a imagem de Nossa Senhora.
Dois anos depois, vieram da Alemanha, os 14 blocos de gesso, que compõe a via-sacra, que, instalados, possibilitaram a inauguração em agosto de 1911.
Desde então, a gruta de Angelina, tem atraído milhares de romeiros e devotos que, diariamente, acorrem ao local.
 


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